População de Irati, no Paraná, encontra na reciclagem modo de enfrentar o volume de resíduos

Professor Resíduo
08:30:AM - 07/Jun/2016
População de Irati, no Paraná, encontra na reciclagem modo de enfrentar o volume de resíduos
Karin Franco/Hoje Centro Sul e Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul

07/06/2016 | 08h30

Uma pessoa pode produzir até um quilo de lixo por dia; Iniciativas como a do Colégio Antônio Xavier da Silveira dão exemplo de que é possível encontrar na reciclagem um modo interessante e economicamente viável de como lidar com o lixo produzido

Uma pesquisa feita pela Associação Empresarial para Reciclagem mostra que a produção diária de lixo no Brasil é de 240 mil toneladas. Apenas um brasileiro pode produzir até um quilo de lixo por dia. De todo esse lixo, 45% tem a possibilidade de ser reciclado, mas apenas 2% acaba sendo reciclado efetivamente. Apesar do percentual baixo, a reciclagem ainda é uma das alternativas que algumas instituições encontram para lidar com o lixo de uma forma não impactante para o meio ambiente.  O Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira de Irati/PR é uma dessas instituições.

De acordo com a diretora Maria Amelia Ingles, o colégio reencaminha vários materiais para reciclagem em troca de outros materiais. Um dos exemplos são os papéis produzidos no colégio, que são trocados com  a indústria Sepac por papel higiênico e papel toalha. “Desde o início do ano a gente não teve aquisição de papel higiênico. Só utilizamos a reciclagem”, conta a diretora.

O colégio ainda recolhe canetas e materiais esferográficos que são reencaminhados para o programa de reciclagem de uma empresa de canetas. “A empresa nos ressarce com R$ 0,02 a cada embalagem enviada”, conta.

A reciclagem envolve toda a comunidade escolar que traz aos pontos de coleta localizados no colégio embalagens de shampoo, condicionador, creme dental, escova de dente, lacres de latinhas e esponjas. Os resíduos são recolhidos e enviados para as empresas parceiras do colégio.

Segundo a diretora, toda a comunidade escolar se envolve no projeto de reciclagem. Além de trazer os materiais, são os pais dos alunos que voluntariamente fazem o transporte dos resíduos para as empresas que podem ficar até fora de Irati.

O projeto iniciou no começo do ano e teve como exemplo um projeto de reciclagem já existente em Rebouças, no Colégio Estadual Professor Júlio César.

Mesmo em pouco tempo o projeto já trouxe retorno para o colégio. “Financeiramente nós já tivermos o retorno, por exemplo, o papel higiênico nós não precisamos comprar”, conta  Maria Amelia Ingles. Outro fator positivo, é que o projeto ajuda na conscientização de cada aluno e sua família. “Se cada um dos nossos alunos levar uma consciência ambiental ecológica para sua casa, nós teremos quantas famílias que tem essa consciência na sociedade iratiense? Nós teremos um grande número de pessoas que podem fazer com que essa ideia vá adiante”, disse.

“A escola não tem como fugir do seu papel social. A escola é social e é inserida na sociedade. Ela precisa mostrar que além do conhecimento e aprendizagem, ela também precisa buscar o conhecimento cidadão, que é esse de conscientização de respeito ao meio ambiente, respeito ao próximo”, ressalta a diretora.

Reciclagem como profissão
A reciclagem em Irati é realizada por duas entidades, a Cooperativa dos Catadores e Agentes Ambientais de Irati (Coccair) e a Associação de Reciclagem Malinoski.

Na Coccair trabalham 16 pessoas das 8h às 17h e que dividem tudo que é recebido através da reciclagem. O barracão é cedido pela Prefeitura de Irati, que paga o aluguel, água e luz, além de conceder caminhão e motorista para fazer a coleta do lixo que será reciclado.

Uma das pessoas que trabalha na cooperativa é Lúcia Kuzavski. Ela conta que são reciclados até 30 mil quilos por mês. O material é recolhido por um caminhão e é levado até o barracão da cooperativa. Ele é separado e colocado em fardos. Cada tipo de material possui uma quantidade específica para ser prensada na máquina e separada em fardo. Sete sacolas cheias de garrafa PET dão um fardo, já no papelão é necessário que se encha 12 sacolas para então prensar. Depois de prontos, os fardos são vendidos em Ponta Grossa.

A venda ajuda no rendimento das famílias da cooperativa. “Bastante gente vive de aluguel. Quebra um galho”, disse Lúcia Kuzavski. “Dá na base de R$ 1.000 a R$ 1.100 [para cada um], dependendo do material e da separação”, conta.

Apesar de conseguir sobreviver com a reciclagem, Lúcia Kuzavski, conta que a cooperativa poderia reciclar até  40 mil quilos por mês. Contudo, a cooperativa não consegue chegar a esse número porque muito material que vai para reciclagem está misturado com o lixo orgânico, fazendo com que a reciclagem seja prejudicada. “É, orgânico tem bastante. O povo não tem conscientização. Enquanto tem uns que são caprichosos demais, tem outros que são relaxados demais. Tem muito papel higiênico de banheiro, fralda descartável, comida. Enquanto que uns lavam os frascos e trazem lavadinho”, conta.

Outra integrante da cooperativa Coccair, Lúcia Gemiesqi, comenta que há situações em que algumas pessoas chegam a colocar pedras em meio ao lixo que poderá ser reciclado para que tenha peso maior, principalmente em programas como EcoTroca, onde a comunidade pode trocar o lixo reciclável por alimentos. “Quando chega aqui tem que tirar e levar para fora, depois tem que carregar no caminhão”, disse Lúcia Gemiesqi.

Ela ainda aponta situações como a mistura de lixo orgânico e reciclável. “Então para não tirar na terça-feira acaba misturando e daí colocam tudo na quinta-feira”, disse.

Para as integrantes da cooperativa o grande problema está na falta de conhecimento da população em como fazer a reciclagem. Entre os itens orgânicos encontrados junto ao lixo reciclável está o papel higiênico usado, a fralda descartável e a comida. “Colocam até peças de roupas”, conta Lúcia Kuzavski. De acordo com ela é preciso uma maior divulgação para conscientizar as pessoas em relação à reciclagem.

Aumento de resíduos
Com uma sociedade cada vez mais industrializada, o lixo tem se tornado um problema em diversas cidades do mundo. Somente no Brasil, a geração de lixo aumentou cinco vezes em relação a taxa de crescimento da população de 2003 a 2014, tendo somado um aumento de 29% segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Em 2014, o país já gerava 78,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que até 2030 a população mundial produza 70% a mais de lixo do que já é produzido atualmente.

Informações: http://hojecentrosul.com.br/