Lixo e camadas de espuma do Rio Tietê voltam a cobrir as ruas de Salto

Professor Resíduo
04:00:PM - 07/Jun/2017
Lixo e camadas de espuma do Rio Tietê voltam a cobrir as ruas de Salto
Rua da região central de Salto foi tomada pelo lixo trazido pelas águas do Rio Tietê

Foto: Anderson Oliveira/Prefeitura de Salto

07/06/2017 | 16h00

Toneladas de lixo, desta vez acompanhadas por grossas camadas de espuma poluída, voltaram a ser empurradas pelo Rio Tietê para as ruas centrais de Salto, no interior de São Paulo. Na manhã desta quarta-feira, 7, o nível do rio havia subido dois metros, com a vazão de 400 metros cúbicos por segundo para 500 m³/s.

De acordo com a prefeitura, além do lixo trazido pelas águas desde a região metropolitana de São Paulo, os moradores são incomodados pela espuma gerada por produtos químicos e detergentes despejados na água. 

Há uma semana, a prefeitura já havia retirado 30 toneladas de lixo que se acumulara nas pedras do Complexo da Cachoeira e do Parque das Lavras, ponto turístico da cidade. Agora, os locais voltaram a acumular, além do lixo, grandes blocos de espuma tóxica. Até embalagens de remédios foram vistas em meio ao lixo.

"A administração informa que está sendo feito novo serviço de limpeza nos locais, conforme contrato com a concessionária do serviço de saneamento. No entanto, ocorre prejuízo à cidade, uma vez que as equipes deveriam se empenhar na limpeza e capinação dos parques, praças e vias públicas, em vez de recolher o lixo trazido de outros municípios", informou a prefeitura.

O prefeito esteve nos locais e pediu à Defesa Civil que as áreas com espuma fossem isoladas. O acesso à Ilha do Campo do Avenida foi interditado. Segundo ele, estudos já mostraram que a espuma pode liberar substâncias tóxicas, além de produzir mau cheiro e resíduos que mancham as roupas.

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Tietê, onde fica Salto, vão propor ao Comitê do Alto Tietê, que atende a região metropolitana, uma forma de compensação pelos gastos com a contenção da sujeira.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que a espuma resulta dos fosfatos presentes em detergentes e sabão em pó que precisam de oxigênio para se degradar. 

Com o esgoto tratado, a presença de oxigênio na água é maior, ocasionando a formação de espuma. Conforme a empresa, uma das medidas seria a redução dos derivados de fósforo nos detergentes.