Pará: poluição indiscriminada pode transformar igarapés de Santarém em esgotos

Professor Resíduo
11:00:AM - 09/Jun/2017
Pará: poluição indiscriminada pode transformar igarapés de Santarém em esgotos
(Foto: Geovane Brito/G1)

Igarapés tem sido alvo de poluição e retirada de mata ciliar

09/06/2017 | 11h00

Lixo, fezes de animais e retirada ciliar têm acelerado o processo de poluição e degradação de igarapés e lagos do município de Santarém.

Santarém, no oeste do Pará, é banhada por diversos igarapés e lagos. Fontes de água doce, esses mananciais vêm sendo alvo de degradação, em grande parte, pela ocupação humana. A poluição é a grande vilã do processo de degradação das águas superficiais e se continuar ocorrendo de forma indiscriminada pode transformar os igarapés de Santarém em verdadeiros esgotos a céu aberto.

Alguns igarapés como Urumari e Irurá, e o Lago do Juá, ganharam manchetes nos últimos anos em razão da poluição e do processo de assoreamento. No dia 2 de junho, foi assinado um contrato de cooperação entre município e Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para execução de um projeto piloto de recuperação do igarapé do Urumari.

O contrato tem o apoio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Secretaria adjunta de Recursos Hídricos do estado do Pará e Fórum de Pesquisadores das Instituições de Ensino Superior de Santarém (Fopies) e deve servir de modelo para trabalhar a inversão da curva da degradação em outros igarapés do município.

Para o presidente do Fopies, diante da situação ambiental existente é preciso que poder público, instituições de ensino e sociedade civil organizada se deem as mãos e num esforço conjunto, tentem evitar que os igarapés urbanos virem esgotos, triste sina que já aflige o Brasil no Sul, Sudeste e Nordeste.

O presidente lembra que os igarapés são bens dos estados. Porém, a cooperação por meio de convênio entre Santarém e o estado do Pará, permitirá que as ações sejam encaminhadas e conduzidas pelo município, superando a formalidade de presença direta e imediata do Estado do Pará, o que distanciaria e criaria formalidades muito difíceis de superar. “Nós estamos junto com a Semma municipal, Prefeitura, comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal e temos manifestação favorável da Aces, para que Santarém tenha delegação do Estado para gerir os mananciais”, informou.

O Termo de Cooperação e Convênio para delegação de atribuições para o município de Santarém gerencie as questões referentes aos mananciais foi assinado por ocasião do XV Encontro de Estudos e Debates sobre Águas Doces de Santarém e Baixo Amazonas, realizado nos dias 4 e 5 de maio.

Entre os principais indicadores da poluição e degradação dos igarapés e lagos de Santarém, estão a retirada de mata ciliar, o desmatamento acima de 30 metros que retira o filtro natural de materiais sólidos e matérias orgânicas, o assoreamento e a ocupação desordenada de áreas urbanas que não contam com saneamento básico.“Nós estamos assistindo de maneira acelerada a poluição e degradação das águas urbanas, seja de igarapés, seja de lagos e até de rios. Para evitar a poluição, é preciso ordenar no âmbito das cidades o que é possível ocupar e o que não é possível ocupar pelo homem. Se for preciso, cercar com telas vazadas deixando espaços para a passagem humana, com barreiras para o acesso de animais que provocam poluição dos mananciais como: bois, cavalos, bodes e porcos”, frisou o presidente.

O presidente do Fopies destacou que no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul as águas superficiais são impróprias para consumo humano e uso doméstico por conta de fezes de porcos. “O porco deve ficar longe das águas, porque produz em suas fezes um elemento prejudicial às águas de maneira geral. E não se consegue mais recuperar as águas que sejam contaminadas pelas fezes de porcos. Então, nós aqui da Amazônia não devemos imitar coisas ruins de outras regiões do país”.

O Urumari não é igarapé que mais preocupa o Fopies e os órgãos de Meio Ambiente. Naquela área existe comitê de defesa do igarapé, que conta com compromissadas com a área técnica, que vivem naquele ambiente e assim, conseguem fazer uma conscientização melhor das comunidades dos seis bairros cortados pelo manancial. “Temos igarapés em Santarém que estão em condições piores que o Urumari, como o igarapezinho que corta o final da Avenida Moaçara com a Cuiabá. Lá, a situação é tão grave que a água do igarapé vem para cima da pista. Mas não é só a água do igarapezinho. É a água do igarapezinho e toda aquela região porque o escoamento já está praticamente bloqueado e pelo aterro”, frisou o presidente do Fopies.

A expectativa do Fopies é que o projeto do Urumari mostre resultados positivos, porque assim vai despertar o interesse de outras comunidades, garantindo a qualidade e a quantidade de água dos igarapés, e favorecendo os usos sustentáveis no âmbito de todos os que se utilizam dessas fontes de água doce.