SP: lixo e queimadas são as principais ameaças para reserva ecológica em Mogi, aponta pesquisa

Professor Resíduo
03:30:PM - 07/Aug/2017
SP: lixo e queimadas são as principais ameaças para reserva ecológica em Mogi, aponta pesquisa
(Foto: Reprodução/TV Diário)

Construção cresceu em zona de amortecimento da Serra do Itapeti em Mogi das Cruzes

07/08/2017 | 15h30

Pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes apontam crescimento de moradores em zona de amortecimento na Serra do Itapeti.

Uma pesquisa organizada por professores e alunos de uma universidade de Mogi das Cruzes mostra que o descarte de lixo e as queimadas são as principais ameaças à zona de amortecimento na Serra do Itapeti. A pesquisa mapeou 105 residências no entorno da área de preservação do Parque Municipal Francisco Affonso de Mello, no Itapeti, para identificar as características dos moradores locais.

São 381 famílias residindo no local. Os problemas apontados pelos próprios moradores, durante a pesquisa, de campo mostram o crescimento da "pressão urbana" na área de serra nativa.

A pesquisa mostra que das 105 propriedades localizadas na região, 77 são moradias. Deste total, 90% são de ocupantes que moram no local no período entre um a três anos, o que indica uma rápida ocupação de espaços da chamada Zona de Amortecimento, definida pela Lei n° 9.985/2000 como "entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade".

Segundo a professora e pesquisadora Maria Santina de Castro Morini, esse processo de urbanização em áreas preservadas, trazem ameaças reais, como o descarte e acúmulo de lixo, queimadas, desmatamento, má conservação das estradas, caça e abandono de animais domésticos, entre outras situações. "Pela primeira vez se tem dados mais precisos capazes de identificar esse avanço urbano na zona de amortecimento e isso poderá ser usado pelo poder público para ajudar a proteger esse bioma", explicou.

"A perda em área não é grande, mas a questão são os vetores de pressão sobre essa região. Em termos de área desmatada, não houve impacto grande. Mas vimos que cresceu em áreas urbanizadas e crescem também os vetores de pressão. Isso traz riscos de poluição, resíduos. Não existe sistema de esgoto, coleta. Fora isso temos uma preocupação que esse processo não continue se intensificando. O Poder Público precisa fiscalizar mais para que a serra não seja adensada", detalhou o professor e pesquisador Ricardo Sartorello.

Um dos impactos diretos dessa pressão urbana em áreas nativas é o aparecimento de animais silvestres na cidade, por exemplo. "Os animais silvestres buscam recursos. Com o aumento da ocupação na serra, vão aparecer mais animais em áreas urbanas. Por outro lado, isso significa que a nossa serra ainda possui condições de abrigar animais, ainda tem condições elevadas de sobrevivência e devemos preservá-la", detalhou o professor.

Uma das formas mais práticas de garantir que esse processo de pressão urbana não avance, é investir em educação ambiental com quem mora na zona de amortecimento e também com quem está fora dela. "As famílias que moram nessas regiões devem ter consciência do quanto o local que elas moram é importante. Mas quem não mora lá também precisa ter essa noção. Saber da importância do serviço que a serra presta e que beneficia todos nós com ar puro, água potável, alimentos", destaca.

Os dados estão na etapa final de análise e farão parte de um livro. Os pesquisadores estudam, por exemplo, se a zona de amortecimento pode se tornar uma Área de Proteção Ambiental (APA), cuja viabilidade para proteção é maior.

Fonte: G1