Niterói cresce em ranking de limpeza urbana, mas reciclagem ainda é problema

Professor Resíduo
11:00:AM - 12/Aug/2017
Niterói cresce em ranking de limpeza urbana, mas reciclagem ainda é problema
Agência O Globo / Pedro Teixeira 03-06-2015

Garis da Clin acondicionam isopor: estímulo à reciclagem ainda é obstáculo em Niterói

12/08/2017 | 11h00

Índice aponta que reciclagem continua sendo maior desafio

A melhoria na destinação do lixo — que agora é 100% enviado para aterros sanitários — fez com que Niterói desse um salto no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (Islu), elaborado pelo Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur) e pela consultoria PWC Brasil, com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS): do 73º lugar, no ano passado, a cidade foi para o 2º este ano. A reciclagem, por outro lado, continua sendo o principal problema a ser enfrentado.

O índice avalia a conformidade de 3.049 municípios quanto à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010. Quatro aspectos — que envolvem cobertura da coleta de resíduos, sustentabilidade financeira da atividade, impacto ambiental e reciclagem — são avaliados para gerar a nota de cada cidade, que varia de 0 a 1. Niterói teve 0,742, abaixo apenas de Maringá, no Paraná. Para Federico Servideo, sócio da PWC Brasil, os dados mostram uma evolução efetiva na gestão municipal.

Nós construímos esse índice através de informações públicas que os próprios municípios disponibilizam. No caso de Niterói, elas indicam uma mudança importante entre um ano e outro. A cidade passou a despejar todo resíduo que produz em aterros sanitários, o que leva a um resultado altamente positivo — avalia.

Se os resultados de Niterói no geral são bons, a cidade ainda tem um grande desafio pela frente quando o assunto é reciclagem, uma vez que recebeu nota 0,01. Segundo Servideo, esse é um cenário comum a grande parte das cidades brasileiras, que ainda precisam desenvolver políticas de incentivo ao reaproveitamento de resíduos e usar essa atividade como geração de renda. Principalmente, para segmentos mais pobres da população que atuam informalmente no setor.

Recife é um dos poucos exemplos positivos no Brasil. O que se discute é uma política de incentivos que envolva, por exemplo, a desoneração tributária da cadeia de produção em diversos níveis para incentivar a reciclagem. A própria Política Nacional de Resíduos Sólidos trata disso de forma muito específica, incentivando os municípios a criarem unidades de recolhimento com duplo propósito: fomentar a reciclagem e dar subsídios à atuação de catadores — diz o analista.

Em Niterói, são recolhidos mensalmente 13.334 toneladas de lixo domiciliar, 3.167 toneladas de varrição e outras 3.500 toneladas de rejeitos variados, como galhos, lodos e entulho. Os resíduos domiciliares são destinados ao Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Alcântara, enquanto os de construção civil vão para o CTR de Anaia. O lixo dos serviços de saúde é levado para o CTR de Itaboraí.

No total, 188 toneladas são recicladas, segundo a Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin). Dados do SNIS mostram que apenas 39,9% da população de Niterói são atendidos por coleta seletiva em domicílio, o equivalente a 1,38% do lixo residencial. Ainda segundo as informações, menos de 1% do lixo residencial e público é reciclado.

Em nota, a prefeitura diz que “a Clin já realiza diversas ações, e a meta é aumentar em 5% o número de coleta seletiva ainda este ano”. Acrescenta que a “Clin atua com recicláveis comuns (papel, plástico, vidro e metal) e possui projetos para reaproveitamento de diversos materiais, tais como óleo de cozinha usado, pilhas, pneus e isopor”. Outros programas que a prefeitura destaca são o Recicla Niterói, “que vem percorrendo os bairros e conscientizando a população sobre a importância da reciclagem”. A Clin, ainda segundo a prefeitura, faz campanha “voltada para os grandes geradores de recicláveis, como shoppings e condomínios.”

A cidade tem sete ecopontos para a entrega de material reciclável. Eles ficam em Icaraí (na Rua Irineu Marinho 466), Largo da Batalha (Rua Leonor da Glória s/nº), Engenhoca (Rua João Brasil s/nº), Cafubá (Avenida Raul de Oliveira Rodrigues s/nº), Campo Belo (Rua O s/nº), São Lourenço (Rua Indígena 72) e no Horto do Barreto.

CTR DO MORRO DO CÉU ATÉ O FIM DO ANO
O CTR do Morro do Céu, no Caramujo, deve ser inaugurado até o fim do ano. Ele será utilizado apenas para resíduos públicos — oriundos de atividades como varrição, dragagem de rios e lagoas, entre outros. No local, que tem vida útil esperada de 20 anos, haverá tratamento de resíduos orgânicos por meio da biodigestão, com geração de energia. Segundo a prefeitura, “a ideia é que o processamento dos orgânicos se dê por um digestor, que deverá trabalhar na decomposição dos resíduos em torno de 30 dias, de forma contínua, visando a obter regularmente biogás e composto orgânico”. Todo o processo ocorre, acrescenta a prefeitura, numa caixa de concreto pré-moldado hermética que retém os gases gerados durante o tratamento. A unidade também contará com equipamentos para o tratamento do chorume, líquido tóxico formado pela decomposição do lixo.

Informações: O Globo