RS: segundo pesquisa, praia do Cassino tem mais de 2 mil pedaços de lixo por quilômetro

Professor Resíduo
04:00:PM - 24/Aug/2017
RS: segundo pesquisa, praia do Cassino tem mais de 2 mil pedaços de lixo por quilômetro
(Foto: Reprodução/RBS TV)

Lixo se acumula na praia de Cassino em Rio Grande

24/08/2017 | 16h00

Para chegar ao número foram recolhidos resíduos de três pontos da praia da Região Sul do RS. Um terminal turístico foi considerado o local que mais se encontrou lixo.

Uma pesquisa mostrou que a Praia do Cassino, em Rio Grande, no Sul do estado, já registra um acúmulo de 2 mil pedaços de lixo por quilômetro. O trabalho foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Para chegar à estimativa, os pesquisadores fizeram a coleta de materiais na praia.

A cada saída, os pesquisadores chegaram a coletar 6 kg de lixo. Uma vez por mês, durante um ano, foram recolhidos resíduos de três pontos da praia. Um terminal turístico foi considerado o local onde mais se encontrou lixo. O ponto é bastante frequentado, principalmente no verão.

Em 12 saídas de campo, foram 8.691 itens encontrados nos pontos da pesquisa. Foi possível identificar a origem de praticamente metade dos itens coletados. Ao todo, 27,8% vieram de atividades de uso da praia e 10,9% de fonte marítima, como materiais descartados por navios. Do material recolhido, 87% é plástico, que não se decompõe.

"Nós conseguimos classificar com base na literatura científica 64 tipos de itens plásticos, sendo que desses, dois tipos chamam muita a atenção, que são as bitucas de cigarro e os canudinhos plásticos. De dezembro a março, a gente teve aumento do uso da praia, e esse material é deixado junto em sacolas para levar para casa e acabam ou esquecendo ou deixando no ambiente. Isso forma a maior quantidade que a gente recolhe na praia", observa o coordenador do projeto Lixo Marinho Furg, Fábio Lameiro.

Na universidade, o material passou por um processo de lavagem e secagem e, depois, por uma triagem que identificou as características de cada um. O plástico encontrado é região, mas tem também da China, Argentina e Egito. A matéria-prima para produtos plásticos é facilmente confundida com alimentos e ingeridos pelos animais.

"Os pellets eles estão presentes em todos os lugares do mundo e aqui na Praia do Cassino não é exceção. A gente tem uma grande quantidade dessas esférulas sendo depositadas na praia, e elas se originam principalmente do ambiente marinho, por causa de perdas de cargas de navios. Então, quando essas esférulas estão sendo transportadas, um contêiner pode levar milhões dessas esférulas. E se um é perdido, é uma grande contaminação do ambiente", salienta a coordenadora do projeto Lixo Marinho Furg, Maíra Proietti.

O objetivo do projeto Lixo Marinho é entender melhor esse descarte e propor soluções para o problema ambiental. Agora, um relatório com os dados será entregue às autoridades para que se proponham ações de conscientização e limpeza da praia.