Hong Kong não possui mais espaço para armazenar o seu lixo

Professor Resíduo
01:30:PM - 06/Sep/2017
Hong Kong não possui mais espaço para armazenar o seu lixo

06/09/2017 | 13h30

Hong Kong está se aproximando de um grave ponto de ruptura. O crescente centro urbano está quase sem espaço para armazenar as 15 mil toneladas de lixo que produz todos os dias.

Com uma população de quase 7,4 milhões de pessoas espremidas em um espaço de pouco mais de 1.106 quilômetros quadrados, Hong Kong se qualifica como o quarto território mais densamente povoado do mundo – uma estatística confirmada pelo fato de também ser líder mundial em arranha-céus (com 453).

Essa densidade extrema significa que Hong Kong tem pouca terra para sua alta produção de resíduos e está ficando sem aterros em uma taxa alarmante.

Atualmente, Hong Kong tem três “aterros estratégicos” ativos, mas um total de 13 outros locais de lixo já foram preenchidos até a sua capacidade e agora estão fechados, tendo sido selados e transformados em lugares como campos de golfe e parques de recreação.

Quanto às três instalações restantes, elas podem estar com os dias contados. Em 2013, estimava-se que esses aterros estratégicos terão a capacidade atingida até 2019, o que significa que Hong Kong terá que recorrer a meios alternativos para se livrar de seu lixo.

“Estamos ficando sem espaço e, em algumas áreas, as pessoas se aproximam cada vez mais dos aterros”, disse a subsecretária de meio ambiente de Hong Kong, Christine Loh.

Parte do problema é a capacidade de reciclagem de Hong Kong. Apesar dos esforços para reforçar a reciclagem, uma falta histórica de plantas de reciclagem em grande escala significa que os materiais destinados à reutilização são processados em outros lugares: em países como a Malásia e a Tailândia – novamente, porque não há terras suficientes para se dedicar ao processo de reciclagem localmente.

Em qualquer caso, o atraso na reciclagem de Hong Kong ajuda a explicar por que seus residentes geram significativamente mais lixo (1,36 kg por dia, em média) do que outras metrópoles asiáticas – incluindo Tóquio (0,77 kg), Seul (0,95 kg) e Taipei (1 kg) – e é um fator que alguns pensam que tem um efeito psicológico enraizado.

“As pessoas não acreditam que qualquer coisa possa ser reciclada”, disse a CEO e fundadora da Plastic Free Seas, Tracey Read. “Eu acho que as pessoas geralmente ficariam muito felizes em reciclar se tivessem confiança no funcionamento do sistema”.

Outra abordagem para resolver o problema é um incinerador de lixo de 10 bilhões de dólares, bastante controverso, que poderia estar funcionando até 2025, com a capacidade de queimar até 30% da produção de lixo de Hong Kong na esperança de que o problema literalmente desapareça no ar.

Mas, inevitavelmente, os críticos do plano dizem que a incineração só aumentará os poluentes no ar na região.

“O consumidor apenas continuará a gerar desperdício e o governo vai queimar tudo. É o conceito errado”, disse Edwin Lau, fundador e CEO da organização sem fins lucrativos Green Earth. “Eu acho que o governo entende a necessidade de gerenciamento holístico de resíduos, mas eles precisam impulsionar políticas e medidas úteis e efetivas para envolver a comunidade”.

Outros planos incluem a construção de uma usina de processamento de alimentos para reciclar alimentos descartados, mas reutilizáveis – instalações que também poderiam ser aproveitadas para produzir biogás para carros.

Novamente, há a questão de encontrar terras vazias em um dos lugares mais densos do mundo, de modo que Hong Kong possa construir essa infraestrutura.

“Com nossa estimativa aproximada, precisamos de 20 fábricas desse tamanho para lidar com nossos resíduos alimentares”, disse o cientista ambiental Chan King Ming, da Universidade chinesa de Hong Kong à BBC Future. “Mas eu acho que vale a pena fazer, porque precisamos reciclar o máximo possível de material utilizável”.

Fonte: https://climatologiageografica.com