Triste realidade: lixo ocupava 100% do estômago de tartaruga

Professor Resíduo
03:00:PM - 27/Nov/2017
Triste realidade: lixo ocupava 100% do estômago de tartaruga
Projeto de Monitoramento de Praias/ Univille

27/11/2017 | 15h00

Resíduos de sacolas e embalagens plásticas, nylon, corda, copo descartável, embrulho de chocolate, bexiga de festa e borracha. Estes materiais foram encontrados no estômago e intestino de uma tartaruga resgatada na praia de Itaguaçu, em São Francisco do Sul (SC).

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) chegou à Unidade de Estabilização de Fauna Marinha da Univille, em São Francisco, no dia 3 de outubro, debilitada, desidratada, inconsciente e com presença de cracas nas nadadeiras.

Os veterinários da instituição prestaram o atendimento necessário e iniciaram tratamento para tentar reverter o quadro. O animal passou por exames e sessões de hidratação, medicação, higienização. No dia 6, a tartaruga não resistiu e morreu.

Ao passar pelo procedimento de necropsia, os veterinários constataram que o trato gastrointestinal do animal estava repleto de lixo.

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) é a espécie de quelônio que mais ocorre no litoral norte de Santa Catarina e também no litoral do Paraná. É também a espécie que mais encalha nestas praias, tanto viva, debilitada muitas vezes, quanto morta.

No Brasil, o seu status de conservação é considerado vulnerável. O que mais ameaça a vida destes animais são os impactos ambientais provocados pelos seres humanos, com destaque para o descarte incorreto do lixo nas praias, no mar e nos rios.

As tartarugas, sobretudo as que se alimentam na costa, acabam ingerindo esse lixo, seja porque confundem com comida, seja porque o lixo está entremeado com o alimento no ambiente.

Os veterinários da Univille verificaram que a quantidade de lixo encontrada no estômago do animal ocupava 100% do volume total do órgão, enquanto que no intestino, os resíduos de lixo ocupavam 25% do seu interior.

De acordo com Leonardo Soares Drumond, veterinário e responsável técnico da equipe PMP-BS/Univille, a ingestão de lixo causa um desequilíbrio completo no organismo do animal, a digestão não é realizada e o trânsito gastrointestinal fica comprometido, o que pode levá-lo à morte.

“Quando está no estômago, o lixo dá uma sensação de satisfação na tartaruga, então ela para de se alimentar e começa a emagrecer. Geralmente, as tartarugas chegam aqui bem magras ou caquéticas. Ao passar para o intestino, o lixo pode gerar um fecaloma (endurecimento das fezes) e o animal pode ficar desidratado. Então, a tartaruga, além de não conseguir defecar, fica suscetível a uma série de complicações e enfermidades”, explica o veterinário.