Macau: DSPA quer cidadãos a produzir menos 0,63kg de lixo por dia

Professor Resíduo
11:00:AM - 03/Jan/2018
Macau: DSPA quer cidadãos a produzir menos 0,63kg de lixo por dia
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Central de Incineração de Resíduos Sólidos

03/01/2018| 11h00

No intervalo de 10 anos, o Executivo espera que cada cidadão produza menos 0,63 quilos de resíduos sólidos por dia, passando para 1,48 quilos em 2026. O objetivo consta no planeamento de Gestão de Resíduos Sólidos, com os Serviços de Proteção Ambiental a admitirem que a grande pressão no tratamento de resíduos em Macau está a “atingir um nível crítico” e o problema de gestão é “iminente”. O planejamento preconiza um investimento a longo prazo nas infraestruturas

A Direção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA) divulgou o documento de Planeamento de Gestão de Resíduos Sólidos de Macau até 2026, estabelecendo uma baliza quantitativa e temporal e admitindo a gravidade da situação.

De acordo com o relatório, “o volume médio de resíduos sólidos urbanos produzidos diariamente per capita pelos residentes situa-se num nível bastante elevado”, provocando grande pressão no tratamento de resíduos sólidos, “que está a atingir um nível crítico”. “O problema da gestão dos resíduos é iminente, carecendo de ser resolvido brevemente”, lê-se no documento.

Assim, o Executivo considerou que deveria ser elaborado um planejamento mais “pormenorizado” para a gestão de resíduos, de modo a que o sistema de tratamento possa corresponder às necessidades de desenvolvimento da sociedade.

A DSPA nota que a ideia é promover “atos amigos de ambiente de reduzir os resíduos a partir da fonte”, tendo como objetivo máximo reduzir o volume médio de resíduos urbanos produzidos diariamente per capita em cerca de 30% ou seja de 2,11 kg por dia em 2016 para 1,48 kg até 2026. Em Macau, o consumo per capita é muito mais elevado do que em Pequim (1 kg/dia), Xangai (0,70 kg), Cantão (0,93 kg) ou Hong Kong (1,39 kg), indicam dados do relatório do Estado do Ambiente.

Segundo o relatório, a Central de Incineração que recebia 329 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2011 passou a receber cerca de 504 mil toneladas em 2016. Para isso contribuem os cerca de 31 milhões de turistas, pois a DSPA salienta que para uma população de apenas 600 mil pessoas o volume médio de resíduos é muito elevado.

Para atingir as metas agora fixadas, serão implementadas medidas de cobrança de taxas e o regime de “poluidor, pagador”, aperfeiçoando o apoio necessário à rede de reciclagem e do setor, para encorajar e ajudar os cidadãos na redução de resíduos e na prática da reciclagem seletiva. Em 2016, a taxa de recolha de resíduos recicláveis atingiu cerca de 21,3%.

“Devido às condições locais, o desenvolvimento do setor de recolha de resíduos está sujeito a sofrer grandes restrições”, afirmou a DSPA, notando que a indústria se centra em cinco tipo de resíduos (papel, metais ferrosos, metais não ferrosos, veículos e plástico). Como “não existe qualquer apoio necessário na indústria pesada”, os resíduos que atinjam um determinado volume após o devido pré-tratamento serão exportados para cidades vizinhas para tratamento e reciclagem.