Após desativação da área, equipes começam a cobrir resíduos do Lixão da Estrutural

Professor Resíduo
09:00:AM - 23/Jan/2018
Após desativação da área, equipes começam a cobrir resíduos do Lixão da Estrutural
(Foto: Dênio Simões/Agência Brasília)

Caminhões despejam terra para cobrir antigo Lixão da Estrutural, em Brasília

23/01/2018| 09h00

Camada de lixo e entulho será lançada para cobrir chorume e afastar animais. Área continua a receber rejeitos da construção civil, e nova destinação ainda será definida.

Equipes do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do Distrito Federal começaram a cobrir, neste fim de semana, a área que abrigou o Lixão da Estrutural até este sábado (20). O depósito de lixo foi desativado, mas a nova destinação da área ainda não está definida. Não há prazo para que a área seja inteiramente revitalizada.

Segundo o SLU, o trabalho de cobertura é composto por três etapas. A ação começa com o espalhamento e a compactação do lixo doméstico que, até o início da semana, era jogado no local. Depois dessa "terraplanagem", uma camada de 50 centímetros de terra e entulho é lançada sobre a área.

Além das equipes do SLU, terceirizados da empresa que operava o lixão também fazem essa cobertura. Segundo o governo, a ação reduz a quantidade de chorume e a presença de animais (como urubus) na área do antigo lixão.

Esse tipo de trabalho já acontecia, a cada 15 dias, em uma área de 4 mil metros quadrados utilizada pelos catadores de material reciclável. Com o fim do lixão, a ideia é que essa cobertura se estenda por todos os 200 mil metros quadrados do lixão.

A partir de agora, todos os rejeitos domésticos serão despejados no Aterro Sanitário de Brasília, em Samambaia, ao lado da DF-180. Os catadores serão transferidos para cinco galpões de reciclagem com capacidade para 1,2 mil trabalhadores cada.

Resíduos da construção civil ainda poderão ser lançados no local, depois que a cobertura for concluída. Até lá, o material deve ser destinado a distritos rodoviários do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), onde ficam guardados até o envio ao antigo Lixão da Estrutural.

O novo aterro está em funcionamento há cerca de um ano e recebeu 214 mil toneladas de resíduos – a média diária é de 800 toneladas. Em novembro do ano passado, o terreno recebeu uma manta de impermeabilização de 22 mil metros quadrados para evitar a contaminação do solo e dos lençóis freáticos.

A fim de recuperar a área, a diretora-presidente do SLU disse, ainda, que o GDF vai abrir uma licitação para elaborar um estudo que viabilize a reutilização do solo. Para isso, o governo também deve solicitar financiamento internacional.

"Será um processo longo e custoso. Nossa conclusão [com isso] é que não vale a pena poluir o meio ambiente", disse Kátia. O custo total estimado é de R$ 30 milhões, superior ao da construção do novo aterro, de R$ 27 milhões.

Por que fechar?
O fechamento do Lixão da Estrutural é uma determinação do Tribunal de Justiça do DF de 2007, motivada por ação do Ministério Público. A medida atende, também, à Política Nacional de Resíduos Sólidos, publicada em 2010.

O lixão é considerado uma "irregularidade" pela Lei de Crimes Ambientais, de 1998, e pela Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981. O depósito fica ao lado do Parque Nacional de Brasília, uma unidade de conservação que se estende por mais de 40 hectares.

O analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Grahal Benatti aponta que essa proximidade gera impactos na fauna, flora e até na água que abastece a população do DF. Em relatório, o próprio SLU trata o depósito irregular como "chaga ambiental".