Lixo eletrônico jogado com demais resíduos é perigo à natureza e à população em Manaus

Professor Resíduo
08:30:AM - 01/Feb/2018
Lixo eletrônico jogado com demais resíduos é perigo à natureza e à população em Manaus
Divulgação

01/02/2018| 08h30

Prefeitura não tem controle do descarte de pilhas, baterias e lâmpadas e nem plano de reciclar. Faltam pontos de coleta e a população desconhece os riscos de contaminação

Apesar de ser preocupação crescente entre especialistas em meio ambiente, a Prefeitura de Manaus não é capaz de dimensionar o lixo eletrônico produzido na capital e nem possui um plano eficiente para o descarte correto desse tipo de material. Geralmente, baterias, pilhas e lâmpadas fluorescentes são jogados fora juntamente com demais resíduos domiciliares.

O descarte correto do lixo eletrônico ainda é um desafio na cidade. Como explica a engenheira ambiental Nayandra Pereira. Segundo ela, na capital amazonense, ainda não é dada a importância devida ao descarte e reciclagem do lixo do tipo eletrônico, que tem substâncias que podem contaminar seriamente o ambiente e a saúde humana. "Há postos de coleta insuficientes e a população não é bem informada a respeito deste tipo de descarte, o que favorece o aumento da poluição causada por materiais. Esses materiais possuem substâncias nocivas em sua composição como cádmio, chumbo e mercúrio. Se descartados de forma inadequada, podem contaminar o solo e o lençol freático, além de ser um desperdício de material reciclável”, afirmou a engenheira, que também faz parte do Programa de Soluções Inovadoras da Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

Nayandra Pereira avalia que a população ainda precisa entender a dimensão do impacto para o meio ambiente quando esses produtos são descartados de qualquer forma. Segundo ela, o amazonense não tem o hábito de reciclar e jogar o lixo corretamente.

A engenheira orientou que a população deve, mesmo enfrentando dificuldades de saber onde são os pontos de coleta, procurar esses espaços. “Lojas grandes e supermercados maiores geralmente tem pontos de coleta. Às vezes, é mais viável juntar e armazenar as pilhas e baterias em um recipiente de vidro ou plástico durante alguns meses e depois fazer o descarte em locais adequados”, explicou.

“A partir de 2010, quando foi sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos, passou a ser responsabilidade do fabricante, importador ou comerciante realizar a coleta em seus estabelecimentos desses materiais consumidos pelos cidadãos. Ou seja, a destinação correta deve ser feita independentemente do serviço público de limpeza”, enfatizou ela.

Pontos registrados
Em Manaus, apenas lojas como a Bemol e os Supermercados DB  contam com pontos de coleta. Segundo a Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abiee), 14 pontos de coleta de pilhas, baterias e lâmpadas usadas estão registrados em Manaus. A associação recolhe os materiais nos pontos de coleta e envia para São Paulo. De lá, os produtos são destinados à reciclagem ou descarte correto.

“Tem outros estabelecimentos comerciais e programas que fazem esse serviço por conta própria”, disse a engenheira ambiental Nayandra Pereira.

Produtos misturados
Em nota, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) informou que não tem números referentes ao descarte de lixo eletrônico em Manaus, pois geralmente são produtos jogados juntamente com demais resíduos domiciliares. “Quando há segregação espontânea e entregue à coleta seletiva, o material é enviado diretamente às associações de catadores de lixo”, destacou.

De acordo com a secretaria, a Prefeitura de Manaus mantém quatro pontos de entrega voluntária na capital. Uma no bairro Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste, Lagoa do Japiim, no bairro Japiim, na Zona Sul, e Parque dos Bilhares e Parque do Mindu, ambos na Zona Centro-Sul da capital. Os pontos funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Os pontos do Dom Pedro, Lagoa do Japiim e Bilhares também funcionam aos sábados.