Consumo Consciente: plásticos que duram poucos minutos e incomodam por séculos

Professor Resíduo
11:00:AM - 20/Mar/2018
Consumo Consciente: plásticos que duram poucos minutos e incomodam por séculos
Núcleo de Imagem

Com os canudos consumidos em 1 ano no Brasil seria possível cobrir a distância entre a Terra e a Lua 20 vezes

20/03/2018| 11h00

Uso de canudinhos, copos descartáveis e sacolas plásticas pode ser facilmente evitado 

Faça o teste em algum restaurante ou bar no Brasil: recuse um canudinho plástico ao pedir um suco ou peça para colocar o café em um copo que você trouxe. A chance de você ser encarado como um ET (um ET antipático, o que é pior) é grande, já que não há nada mais natural e automático do que usar um artigo de plástico descartável para consumir uma bebida.

Esse gesto, já banalizado, é uma das causas de um problema crescente que não pode mais ser ignorado – os entulhos plásticos nos oceanos já prejudicam a fauna marinha e, silenciosamente, a nossa saúde. Cerca de 8 milhões de toneladas de plásticos são despejados nos oceanos a cada ano, segundo estudo publicado em 2015 por pesquisadores da Universidade da Georgia – o que equivale a despejar nos mares o conteúdo de um caminhão de lixo por minuto!

Os animais marinhos são as primeiras vítimas disso, pois morrem ao ingerir pedaços de plástico ou ao ficarem presos entre os detritos. A estimativa é que 100 mil animais marinhos morram anualmente por conta desse problema. Mais da metade das tartarugas do mundo já ingeriram plástico e outros detritos produzidos por humanos, segundo pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália.

E há projeções de que, a continuar esse processo de “despejo” de resíduos sólidos no mar, em 2050 haverá mais resíduos do que peixes nos mares do mundo todo.

Mesmo aquele conhecido que dá de ombros para a preservação da vida marinha tem motivos para reduzir o uso de plásticos. Como não são biodegradáveis, os plásticos mais comuns utilizados nos produtos descartáveis, embalagens e sacolinhas apenas se fragmentam em micropartículas, podendo ainda gerar subprodutos como o bisfenol A (o famoso BPA) ou o trímero do estireno – ambos perturbadores de funções hormonais, podendo também causar problemas reprodutivos em animais e entrar na cadeia alimentar inalterados, além de poder chegar aos nossos pratos ao consumirmos peixes e frutos do mar. Estudos sobre este tema ainda são relativamente escassos, mas há um consenso de que há, sim, um risco para a saúde animal e a humana.

Claro que é preciso reconhecer que o plástico é um material importante para a sociedade. Higiênico, moldável, flexível, reciclável (em grande parte dos casos) e resistente, além de ser imprescindível em algumas aplicações, como é o caso do uso em material descartável em hospitais, tem atributos essenciais para a sustentabilidade, sem substitutos à vista ao menos por enquanto. Além disso, o fato do resíduo plástico chegar aos oceanos é um sintoma de uma série de problemas estruturais, que englobam, entre outros aspectos, a má gestão dos resíduos sólidos pelos indivíduos e pelos governos, e os baixos índices de eficiência, aplicabilidade e abrangência da reciclagem.

Porém, é necessário encarar (mais) uma verdade dolorida: o baixo custo deste produto banalizou o seu uso para artigos descartáveis, de uso único, vários deles dispensáveis ou substituíveis na maioria das situações, como é o caso dos canudinhos e das sacolinhas plásticas. Especialmente nestes casos, é essencial que os consumidores percebam que suas atitudes importam e muito.

Informações: Folha de SP