Recife: aterro da Muribeca terá usina para produzir energia elétrica

Professor Resíduo
11:00:AM - 23/Mar/2018
Recife: aterro da Muribeca terá usina para produzir energia elétrica
Foto: Rafael Furtado

Aterro abrigará 14 usinas de queima de gás e geração de energia. Recursos contribuirão para custear despesas, como o de tratamento do chorume

23/03/2018| 11h00

Sistema inédito no Estado usará a queima do biogás produzido pelo lixo. Equipamento deve entrar em operação em 2019

O Aterro Sanitário da Muribeca, no município de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, será o primeiro de Pernambuco a ter uma usina de geração de energia elétrica por meio da queima do biogás, produzido a partir da decomposição do lixo orgânico. Previsto para operar em janeiro de 2019, o novo equipamento impedirá que o metano - 26 vezes mais poluente que o gás carbônico - contamine o meio ambiente, ao mesmo tempo em que permitirá a geração de renda. A novidade foi anunciada durante visita da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) à Central de Tratamento de Resíduos Candeias (CTR Candeias), empresa responsável pela destinação final das 4,5 mil toneladas de lixo que chegam diariamente ao aterro desde que o lixão da Muribeca foi fechado, em 2007.

De acordo com o gerente geral da CTR Candeias, Fabio Zorzi Leme, a ideia é que os geradores da usina quebrem as partículas do gás metano durante o processo de queima, feito durante 24 horas, gerando energia que será repassada a alguma rede de distribuição privada. “A usina ocupará um espaço de cerca de 2 mil metros quadrados, que ficará próximo a uma das lagoas de tratamento de chorume do aterro. Todo o trabalho de queima e geração de energia será feito por 14 geradores”, detalha. Os equipamentos, avaliados em R$ 1 milhão cada um, são de uma fábrica italiana. A capacidade de geração será de 10 megawatts, suficiente para atender cerca de 300 mil pessoas.

Hoje, o tratamento do biogás é feito como nos demais aterros sanitários: o metano é queimado em duas chaminés a uma temperatura de 1.000ºC, transformando-se em gás carbônico e liberado no ar. “A diferença, agora, é que, em vez de ir ao ar, o biogás vai virar energia por meio de geradores. A venda do biogás vai contribuir com os custos operacionais do aterro sanitário”, reforça Zorzi Leme. Desde 2007 até o momento, foram investidos no aterro R$ 50 milhões. Um dos maiores custos é o tratamento do chorume, líquido escuro e viscoso produzido pela decomposição de resíduos orgânicos, que corresponde a até 30% das despesas totais. Ao todo, oito lagoas de chorume compõem todo o aterro, que dispõe de 130 hectares.

Visita técnica
Por ser a Região Metropolitana do Recife (RMR) a que mais gera resíduos sólidos, a CTR Candeias foi escolhida para ser o primeiro lugar a ser visitado pela Comissão de Meio Ambiente da Alepe. A iniciativa de conhecer detalhadamente como ocorre todo o processo de tratamento do lixo veio após recente divulgação do relatório do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), no qual é apontado que apenas 51 dos 184 municípios se enquadram na Política Estadual de Resíduos Sólidos.

“A intenção é conhecer in loco as experiências de lixões e aterros sanitários do Estado, começando primeiramente pela RMR, e depois estender para outras localidades do Agreste, Sertão e Zona da Mata. O próximo local a ser visitado, com data a definir, será a CTR Igarassu”, adianta o presidente da comissão, deputado Zé Maurício. As vistorias técnicas seguirão até junho deste ano e, ao fim, será gerado um relatório ao TCE-PE e à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).

O aterro sanitário da Muribeca recebe resíduos do Recife, Moreno, Fernando de Noronha, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, São Lourenço da Mata e Vitória de Santo Antão, sendo a Capital pernambucana responsável por cerca de 60% de todo o lixo que segue ao local.

Informações: http://folhape.com.br/noticias