Florianópolis inaugura maior centro de reabilitação de animais marinhos do país

Professor Resíduo
11:00:AM - 29/Mar/2018
Florianópolis inaugura maior centro de reabilitação de animais marinhos do país
Betina Humeres / Diário Catarinense

Animais marinhos, como pinguins, receberão tratamento no Centro de Reabilitação

29/03/2018| 11h00

Espaço que fica dentro do Parque Estadual do Rio Vermelho poderá receber mais de 170 animais em recuperação

Em 2017, 260 animais marinhos, como pinguins, gaivotas e toninhas, espécie de golfinho ameaçado de extinção, recolhidos no litoral catarinense foram reabilitados e devolvidos para a natureza. Este trabalho, feito em Florianópolis pela Associação R3 Animal, ganhou uma nova estrutura para abrigar e recuperar os animais. O Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos foi inaugurado na manhã dessa quarta-feira (28), dentro do Parque Estadual do Rio Vermelho, no norte da Ilha.

Cristiane Kolesnikovas, coordenadora da R3, explica que até então a associação possuía um pequeno espaço para abrigar e recuperar os animais marinhos. Já o novo local, com 3 mil metros quadrados e equipado com sala de cirurgia, ambulatório e 12 piscinas, tem capacidade para receber mais de 170 animais, se tornando o maior centro de recuperação do país. 

A nova estrutura vai refletir principalmente na qualidade do serviço. A qualidade técnica nós já temos com veterinários, biólogos e oceanógrafos, que são especialistas em animais marinhos. Mas a gente tinha um espaço muito restrito e, agora com esse espaço maior, eles podem desenvolver ainda mais as capacidades deles. Acredito que não vai aumentar o número de animais, mas sim a qualidade do trabalho e a taxa de sucesso da reabilitação.

Para o presidente do Instituto de Meio Ambiente de SC (IMA), Alexandre Waltrick, a obra, que durou cerca de um ano e foi custeada pela Petrobras, mostra que as questões ambientais estão chamando mais atenção e ganhando espaço.

É muito bom ver que estamos acordando para a causa ambiental. O Brasil passa por algumas transformações e uma delas é a recepção no entendimento de que sem a gente resolver os nossos conflitos com a natureza nós não vamos ter sobrevida.

Risco de extinção
A construção do centro faz parte de uma série de exigências feitas pelo Ibama para que a Petrobras pudesse explorar o pré-sal na Bacia de Santos — desde Ubatuba (SP) até Laguna (SC). Desde 2015, a estatal mantém o Projeto de Monitoramento das Praias da Bacia de Santos, que é coordenado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), no Litoral Norte catarinense, e possui parceria com 11 instituições ligadas ao meio ambiente em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Uma delas é a R3.

No Estado existem três centros de estabilização — em Laguna, Penha e São Francisco do Sul — onde os animais recebem os primeiros-socorros e, em seguida, são encaminhados para a Capital para total reabilitação e soltura. Em 2017, 260 animais foram devolvidos à natureza. No entanto, há muitos animais mortos encontrados nas praias que também são resgatados para a realização de exames que determinem a causa de morte.

O professor e pesquisador André Barreto, coordenador do Projeto de Monitoramento das Praias, informa que dos 37 mil animais resgatados em toda a faixa da Bacia de Santos durante os três anos de projeto, apenas 10% estavam vivos.

Isso é algo preocupante. A gente tinha uma ideia da mortalidade, mas com esse monitoramento intensivo, estamos tendo outra visão. Acreditávamos que muito menos animais morriam e com a grande quantidade de espécies como golfinhos e tartarugas que apareceram mortas, acreditamos que não será sustentável a longo prazo. Se continuar nesse ritmo a probabilidade que essas espécies venham a se extinguir localmente é muito grande.

Segundo Barreto, muitos dos animais encontrados mortos já estavam com a saúde debilitada.

Às vezes ele morreu afogado numa rede de pesca, mas com a necropsia, é constatado que estava com o fígado, o rim com problemas, estava doente. Isso indica uma série de impactos que ocorrem no ambiente que estão afetando os animais.

Para Barreto, o impacto maior é o humano, principalmente relacionado ao lixo, à poluição que chega pelos rios, ao tráfego de embarcações e à pesca.

Isso mostra que, mesmo dentro da legislação, não deixa de estar impactando o ambiente.

Serviço
Quem encontrar um animal marinho ferido ou morto, a orientação é manter distância do animal e ligar imediatamente para o projeto de monitoramento pelo telefone 0800 642 3341. O Centro de Reabilitação não será aberto para visitação.

Informações: https://gauchazh.clicrbs.com.br