A partir do lixo, oferta de gás natural será 50% maior em dois anos no Ceará

Professor Resíduo
09:30:AM - 17/Apr/2018
A partir do lixo, oferta de gás natural será 50% maior em dois anos no Ceará
MAURI MELO

CAMILO SANTANA na inauguração da usina de biogás GNR Fortaleza

17/04/2018| 09h30

GNR FORTALEZA - o Governo do Estado inaugurou planta de produção de biogás aproveitando o aterro sanitário de Caucaia

Com a instalação da primeira estação de Gás Natural Renovável (GNR) em Fortaleza, o Ceará vai ampliar em 20% a oferta do produto pela Companhia de Gás do Ceará (Cegás) no Estado. A meta é expandir a capacidade da planta em 50%, em até dois anos, que hoje é de 100 mil m³/dia. O objetivo é que a produção diária chegue a 150 mil m³, tornando-se a maior estação do tipo no País. A usina GNR Fortaleza foi inaugurada na segunda (16) no Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc).

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), destacou que a criação da usina é um passo para um Ceará mais moderno, inovador e sustentável, transformando o passivo do lixo em gás verde de múltiplos potenciais de uso como, por exemplo, matriz energética para utilização da indústria.

Ousadia e coragem da iniciativa privada em acreditar e investir no empreendimento, que já soma mais de R$ 100 milhões de aporte, foi destacado pelo governador Camilo Santana (PT) no discurso de inauguração da usina. A oferta de gás no Estado já estava limitada a um teto, avalia Thales Mota, diretor da GNR Fortaleza. Ele explica que a estação de biogás vem ampliar a oferta da Cegás em 20% para as indústrias, comércios, residências e postos de gás natural veicular (GNV).“A GNR transformou um produto desperdiçado em um bem que gera riqueza, ICMS, arrecadação, empregos e beneficia o meio ambiente, uma vez que retira um gás da atmosfera extremamente poluente”, disse.

Hugo Figueirêdo, diretor presidente da Cegás, frisou que a companhia é a primeira distribuidora de gás natural do País a injetar o gás na rede de gasodutos. “Estamos começando grande. Pode chegar a 15% do volume comercializado para os clientes”. O diretor lembra que o projeto fomentou a regulamentação do produto pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Hugo Nery, diretor presidente da Marquise Ambiental, observa que a usina traz competitividade e mudanças. “Transforma produto que era descartado e causava dano ambiental em projeto de valor agregado. Vai trazer dinheiro no sentido de pagamento de ICMS, fora todo o movimento que pode ser gerado na economia de novas indústrias”.

O gasoduto construído pela Cegás tem 23 km e fará a distribuição do aterro para as indústrias, a exemplo da Cerbras, indústria de cerâmica localizada em Maracanaú e maior consumidora de gás do Estado. Com necessidade de 73 mil m³ por dia, a empresa já utiliza o gás da usina desde dezembro do ano passado em caráter experimental.

Informações: https://www.opovo.com.br