RJ: falta de saneamento afeta 500 famílias em Jurujuba

Professor Resíduo
04:00:PM - 23/Apr/2018
RJ: falta de saneamento afeta 500 famílias em Jurujuba
Roberto Moreyra / Agência O Globo

Esgoto in natura é despejado diretamente na Baía de Guanabara. Residências não estão ligadas à Estação de Tratamento existente

23/04/2018| 16h00

Esgoto continua a céu aberto 12 anos após inauguração de estação

Doze anos após a inauguração de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em Jurujuba, banhistas, pescadores e moradores continuam convivendo com esgoto a céu aberto na porta de suas casas. O despejo in natura também continua ocorrendo nas águas da Baía de Guanabara. Na tentativa de reverter a situação insalubre que afeta mais de 500 famílias do Morro do Lazareto, conhecido como Ponta da Ilha, a Câmara dos Vereadores aprovou, no fim de 2017, uma emenda orçamentária, no valor de R$ 200 mil, para viabilizar a finalização da rede coletora do bairro, conectando-a integralmente à estação de tratamento existente. A emenda, porém, foi vetada pelo prefeito Rodrigo Neves.

No Lazareto, há pelo menos quatro saídas de esgoto que desembocam diretamente no mar. Muitas vezes, elas estão entupidas, ocasionando vazamentos de detritos nos dias de chuva. E não é raro os próprios moradores fazerem a limpeza, já que, segundo eles, apenas um gari é responsável por realizar a varrição de toda a comunidade apenas três vezes por semana. A comerciante Maria das Graças Soares Campos, que mora no Lazareto há mais de 30 anos, garante que nem tudo é culpa da falta de atenção do poder público.

O esgoto corre por aqui, e o cheiro é horrível. Tem muita barata e muito rato. Quando chove, a água suja transborda, já que muitos moradores acabam jogando lixo em uma vala que existe na parte de cima da comunidade. Entope tudo. A culpa também é da população — afirma.

Urbanista e arquiteta, Regina Bienenstein garante que, apesar da complicada topografia da região, existem mecanismos eficazes e de baixo custo capazes de resolver a situação.

A grande dificuldade é a implantação da rede em determinados trechos da comunidade, onde as vielas são muito estreitas, dificultando o uso de maquinário pesado. Ainda assim, dá para passar. Com a rede instalada, o esgoto seria direcionado e coletado no entorno da comunidade, na orla junto à baía, por uma passagem interligada à Estação de Tratamento de Esgoto já existente no bairro, através de uma elevatória. Seria uma espécie de cinturão protegendo a baía e trazendo mais qualidade de vida à população da região — detalha Regina.

Desenvolvimento Econômico
Moradora da região há mais de 15 anos, Sônia Helena Marqui acrescenta que o despejo de esgoto na Baía de Guanabara também vem atrapalhando a atividade marisqueira, tradicional no bairro de pescadores.

A comunidade é carente e, até o fim de 2012, não tinha nem acesso a água tratada. O esgoto é jogado diretamente na baía, justamente no local em que existe atividade mais intensa de maricultura. As pessoas vivem da pesca aqui no bairro. Se alguém de fora vê a sujeira sendo despejada na água, nem vai mais querer comprar peixes e mariscos aqui. A situação é triste, mas precisa ser discutida com todos — diz Sônia, que é representante da Associação das Mulheres dos Povos d’Água.

Para o carioca Lúcio da Silva Xavier, o despejo de esgoto em Jurujuba prejudica também o turismo na região.

A praia é linda e histórica, mas está muito malcuidada. Já fui comprar peixes em Jurujuba e fiquei abismado ao ver o esgoto ser jogado na baía, sem qualquer tratamento. O cheiro é péssimo, e as pessoas já tratam aquilo como algo normal. Nunca mais comprei peixes por lá — reclama Xavier, estudante de Nutrição.

A Águas de Niterói informa que toda a região de Jurujuba tem coleta de esgoto, com o efluente sendo direcionado para tratamento na estação construída no bairro. Garante ainda que a comunidade tem rede de coleta de esgoto, e que os imóveis que não têm o seu efluente tratado estão nessa situação devido a inviabilidades técnicas geradas por falta de redes internas conjugadas entre casas, aglomerados desordenados de imóveis e falta de acessibilidade, entre outros problemas.

Informações: https://oglobo.globo.com