Reciclagem ainda é desafio para empresas de café em cápsula

Professor Resíduo
10:00:AM - 18/May/2018
Reciclagem ainda é desafio para empresas de café em cápsula
(Crédito: iStockphoto/Getty Images)

Segundo dados da Nespresso, 68% dos consumidores de café têm acesso à reciclagem de cápsulas

18/05/2018| 10h00

Fabricantes de café em cápsulas intensificaram programas de reciclagem de cápsulas nos últimos anos

Em 17 de maio é comemorado o Dia Internacional da Reciclagem. Alguns setores, como o de café em cápsulas, ainda precisam ampliar o índice de reciclagem das embalagens. Outros, como o de latinhas de alumínio, vão melhor nesse quesito – das 294,2 mil toneladas de latas vendidas, 289,5 mil toneladas foram recicladas em 2014.

Os principais fabricantes de café em cápsula criaram programas ou fecharam parcerias voltadas para a reciclagem nos últimos dois anos. O investimento está  em linha com o consumo crescente do produto. O país consumiu 9.000 toneladas de café em cápsulas em 2016. No ano seguinte, foram 10 mil toneladas e a previsão chegar a 14 mil toneladas em 2021.

A Nespresso chegou ao país em 2006, mas começou a reciclagem timidamente em 2011. Com a criação de um centro de reciclagem em 2016, o porcentual de aproveitamento das cápsulas usadas começou a melhorar – saltou de 6% em 2016 para 13% em 2017. Nos quatro primeiros meses deste ano, o total foi de 17,6%.

Um dos desafios da empresa é facilitar o descarte dos produtos usados, já que hoje quem faz o recolhimento é o consumidor, que leva as cápsulas para lojas da Nespresso. O problema é que não existem tantas lojas para fazer esse recolhimento.

Paulo Roberto Leite, presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil, afirma que as empresas são responsáveis por seus produtos. “O que não pode são as empresas jogarem para o consumidor a responsabilidade da reciclagem. As empresas poderiam criar recompensas para motivar”, diz.

“Das pessoas que compram o café no Brasil, 68% têm acesso à reciclagem”, afirma Claudia Leite, gerente de cafés e sustentabilidade da Nespresso. “Mas 32% não têm acesso e vamos ter de encontrar uma solução para eles. Não temos como entrar na casa das pessoas para recolher as cápsulas, então oferecemos opções para que levem até as butiques e outros pontos em São Paulo e no Rio de Janeiro, por enquanto”, diz ela. A Nespresso diz que existem postos de coletas localizados em diversas cidades.

No centro de reciclagem, as cápsulas são separadas, o alumínio é levado para empresas parceiras (que depois será vendido novamente e transformado em algum outro objeto) e o pó de café é convertido em adubo. As cooperativas também estão sendo contatadas para que elas próprias comecem a separar as cápsulas de outros materiais recicláveis. “Tínhamos cinco parceiros no início, hoje são dez, mas vamos subir para 20 até o fim de 2018”, afirma Claudia. No Brasil, estão previstas 60 até 2020, ano que em eles precisam atingir a meta de reciclar 100% do material consumido.

Nelson Rodrigues , consultor em gerenciamento de resíduos, explica que os coletores separam todas as cápsulas, independentemente da marca e do material de fabricação, seja plástico ou alumínio. Depois, a Nespresso compra esse material e encaminha para o seu centro de reciclagem. “No lixo doméstico, 60% é reciclado, 25% é orgânico e o restante é rejeito”, diz. “Para funcionar, o cidadão é a peça-chave.”

A Três Corações começou a fazer reciclagem das cápsulas em 2017 – foram 6,3 toneladas naquele ano. “O programa começou com 21 postos para a entrega voluntária nos Estados de São Paulo e do Ceará e com 52 pontos fixos, além dos instalados em eventos onde a Três Corações está presente”, explica o diretor da unidade de negócios da Três Corações, Renato Guiderolli.

Em São Paulo, existe uma parceria para a gestão do descarte com a YouGreen. “Temos outros parceiros nas capitais onde implantamos a logística reversa, que atuam na coleta, gestão e tratamento dos resíduos. As cápsulas são enviadas para as centrais para separação e, em seguida, recebem o tratamento para reciclagem.”

A Jacobs Douwe Egberts, empresa fabricante dos cafés em cápsulas L’OR, Pilão e Pelé Graníssimo, possui um programa de reciclagem desde dezembro de 2017. Para participar, o consumidor precisa enviar as remessas pelo Correios (o selo é pago pela empresa). Depois, as embalagens plásticas são moídas e transformadas em uma nova matéria-prima. Já as de alumínio passam pelo processo de fundição e são transformadas em blocos utilizados na fabricação de novos produtos. A borra de café é encaminhada para a compostagem e é decomposta com outros resíduos orgânicos. Aqui, cada cápsula enviada vale dois pontos, que equivalem a dois centavos, que poderão ser revertidos em doações para uma instituição sem fins lucrativos ou escola pública à sua escolha.

A Nescafé Dolce Gusto, da Nestlé, fechou uma parceria com a recicladora Boomera. Após o consumo, elas se transformam em novos materiais, como acessórios (porta-cápsulas) e tubetes de plástico para o plantio de mudas de café. A empresa, porém, não revela o volume da reciclagem feita atualmente. Para que a reciclagem seja possível, o consumidor precisa entregar as cápsulas usadas em 27 pontos de coleta no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Curitiba (PR), e em cidades de São Paulo, como a capital, Barueri, Campinas, Ribeirão Preto, Santana de Parnaíba, São José do Rio Preto, Indaiatuba, São Caetano do Sul.

“Com as iniciativas adotadas, a companhia evitou que 883 toneladas de lixo fossem para aterros no ano passado, uma vez que 100% dos resíduos industriais são destinados por meio de processos de reciclagem, coprocessamento e compostagem”, diz a nota enviada à VEJA.

O café Orfeu lançou sua cápsula biodegradável e compostável. “Conseguimos dar um grande passo para tornar sustentável o consumo e o descarte de cápsulas de café de uma forma mais prática, viável e efetiva para os clientes”, explica Amanda Capucho, diretora-geral de Orfeu Cafés Especiais. Quando destinada ao tratamento de lixo orgânico, as cápsulas têm um ciclo de até quatro meses para se degradar completamente e se transformar em adubo.

Informações: VEJA.com