MT: falta de consciência e fiscalização fazem proliferar lixões clandestinos

Professor Resíduo
04:00:PM - 22/May/2018
MT: falta de consciência e fiscalização fazem proliferar lixões clandestinos
Foto: Denilson Paredes

Moradores confiam na impunidade e jogam seus lixos livremente em qualquer área não habitada da cidade

22/05/2018| 16h00

A falta de consciência de alguns cidadãos e a quase completa ausência de fiscalização têm levado à propagação de inúmeros “lixões” clandestinos pelos bairros mais periféricos da cidade. O despejo de lixo em áreas e terrenos baldios é crime e a pessoa que for pega praticando o ilícito pode ser multada e responder processo na Justiça, mas, ainda assim, essas pessoas confiam na impunidade e jogam seus lixos livremente em qualquer área não habitada, contribuindo para piorar ainda mais o aspecto visual da cidade, que já não é dos melhores.

O secretário Municipal de Meio Ambiente, João Coppetti Bohrer, informou que tem conhecimento do que vem ocorrendo e que o órgão que comanda tem procurado fiscalizar todos os casos que são denunciados e que chegam ao seu conhecimento. “Nós temos procurado atender a todas as demandas que chegam até nós, atender a todas as solicitações e procurar dessa forma minimizar os efeitos que esses verdadeiros lixões a céu aberto causam para o meio ambiente e para os moradores dessas comunidades que são atingidos por eles, mas temos esbarrado na nossa falta de estrutura para fiscalizar melhor a situação”, informou.

Segundo o secretário, a pasta encarregada de fiscalizar todos os possíveis crimes cometidos contra o meio ambiente na cidade conta com apenas dois fiscais efetivos na equipe, número considerado ínfimo em relação ao que seria necessário para uma ação fiscalizadora mais efetiva da Semma. “Para as pessoas jogarem esse tipo de lixo que foram criados os ecopontos, que estão precisando ter uma gestão mais eficaz, mas isso não justifica o erro dessas pessoas que jogam seu lixo em qualquer terreno baldio. Essas pessoas estão erradas e poderão ser punidas, se forem pegas em flagrante ou denunciadas”, disse Bohrer.

Um fato que contribuiu para o agravamento do quadro foi o fechamento do lixão da Mata Grande, que foi substituído por um Aterro Sanitário, cuja gestão é privada e que cobra para a deposição de lixo no local, o que tem levado esses cidadãos a jogarem seu lixo em qualquer área desabitada que encontram na periferia da cidade.

A localização do novo Aterro Sanitário da cidade, que fica no quilômetro 25 da MT 270, na estrada que leva ao Distrito de São Lourenço de Fátima, também tem colaborado com a piora da situação, pois o mesmo fica após o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o que inviabiliza que veículos com documentação irregular ou que não acondicionem corretamente o lixo transportado passem pelo local.

“Aí, eles preferem economizar um dinheirinho, não contratando uma empresa especializada para cuidar da remoção de seus lixos e entulhos, o que provoca o surgimento desses inúmeros depósitos clandestinos de lixo. Tem gente que tem condições de levar seu lixo no Aterro, mas prefere burlar a lei, assim como tem gente que quer levar o seu lixo lá, mas não tem condições. Para esses últimos, eu aconselho que usem os ecopontos, para evitar serem multados e responder processos”, pontuou João Coppetti Bohrer.

Ele afirma que os fiscais do órgão fiscalizam cotidianamente a situação, mas que os infratores em grande parte procuram jogar seus lixos nos terrenos baldios à noite ou nos finais de semana, quando os fiscais da Semma não estão trabalhando, o que o secretário pretende contornar realizando fiscalizações nesses horários e datas.

A solução apontada por ele no curto prazo para evitar a proliferação dos lixões seria a revitalização dos atuais ecopontos, locais criados pela Prefeitura com a finalidade de receber restos de poda de árvores, limpeza de quintais ou entulhos de construção, além de móveis velhos, mas em pequena quantidade.

Recentemente, a própria Semma anunciou a construção de um novo conceito de ecoponto, que contaria com funcionários no local, além de baias, para a separação do lixo ali depositado, que será destinado para a reciclagem e para a reutilização. O problema é que até o momento o projeto ainda não saiu do papel e, enquanto isso, o lixo continua se acumulando nas áreas desabitadas da periferia da cidade.

“Nós já estamos com a discussão bastante avançada no sentido de passar a gestão dos ecopontos para o Sanear, que é o gestor de fato da questão dos resíduos da cidade. Em breve vamos começar a transição para a autarquia, até por que não temos recursos financeiros para isso”, concluiu o secretário.

Informações: http://www.atribunamt.com.br