Vila em Santa Maria quer chegar ao “lixo zero” em 2020

Professor Resíduo
10:00:AM - 12/Jun/2018
Vila em Santa Maria quer chegar ao “lixo zero” em 2020
Foto: João Stangherlin/Jornal de Brasilia.

Ecovila Naval com projetos voltados para o meio ambiente. Ecovila Naval - Santa Maria 17-05-2018.

12/06/2018| 10h00

Comunidade mantém práticas sustentáveis e alerta para o consumo consciente

Brasília recebe nesta semana o 1º Congresso Nacional Cidades Lixo Zero, que apresenta as melhores práticas e tecnologias em gerenciamento de resíduos sólidos. Chegar ao conceito de “lixo zero”, reduzindo-o em até 90%, parece impossível, mas no DF já existe uma região com essa meta definida. Trata-se da EcoVila Naval, em Santa Maria.

Os militares da Marinha que moram na EcoVila já estão acostumados a manter práticas sustentáveis. Para ir além, a diretora das Voluntárias Cisne Branco de Brasília – instituição em que auxilia a gestão da vila -, Ana Beatriz Goldstein, assinou uma carta-compromisso para que até 2020 o espaço seja considerado Lixo Zero.

Num espaço de 40 hectares moram 900 pessoas em 216 casas. Há ainda uma escola pública que recebe cerca de 600 alunos, muitos de outras partes do DF. “Então temos uma movimentação diária em torno de 1.500 pessoas. Estamos num terreno da Marinha dentro do Cerrado e com uma fonte de água mineral. Por isso, há dez anos começamos a construir uma vila sustentável para que o meio ambiente possa ser preservado”, diz Ana Beatriz.

O primeiro passo foi trabalhar o saneamento básico. “Hoje todo nosso esgoto é tratado ecologicamente, com tanque de evapotranspiração, conhecido como ‘fossa das bananeiras’. Para construí-lo o entulho é reutilizado: pneus e resto de obra”, conta a diretora.

Em conjunto com o tratamento do esgoto, a EcoVila em Santa Maria passou a receber ações de educação ambiental. “Procuramos a central de catadores de Santa Maria, o SLU e começamos um trabalho de conscientização: teatro para as crianças, palestras, mobilização. Separamos contêineres por tipo de lixo”, explica Ana Beatriz.

A vila possui uma horta para aproveitar o lixo orgânico. Em breve haverá um laboratório para reciclar eletrônicos. Uma casa foi equipada com placa de energia solar construída a partir de garrafas PET e caixas de leite. “Teremos uma economia de 30% na conta. Houve um custo de R$ 700 e a durabilidade é de 15 anos”, detalha a diretora. A expectativa é de que mais casas possam receber a placa de energia.

A carta-compromisso assinada entre a vila e o Instituto Lixo Zero só reforça as medidas tomadas. Para Ana Beatriz, essa mudança só é possível se passar pela reflexão do consumo consciente.

“A gente consome desnecessariamente. O planeta não tem lixeira, onde vamos jogar o lixo? Estamos acabando com a nossa própria sobrevivência. E não vai acontecer no futuro, já está acontecendo, e isso fica nítido quando a gente vê o que Brasília tem passado: a crise hídrica. O que é isso se não a questão ambiental? A redução da produção do lixo é uma pauta que não é para daqui a pouco, é para agora”, alerta.

Informações: http://www.jornaldebrasilia.com.br