Aterro de Mogi Guaçu é classificado como inadequado pela Cetesb e funciona sem licença

Professor Resíduo
12:00:PM - 18/Jun/2018
Aterro de Mogi Guaçu é classificado como inadequado pela Cetesb e funciona sem licença
(Foto: Reprodução/EPTV)

Urubus em grande quantidade são vistos no aterro de Mogi Guaçu, que está em situação inadequada, segundo a Cetesb.

18/06/2018| 12h00

Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos de 2017 foi divulgado este mês pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Mogi Guaçu é a única cidade da região em situação irregular.

O aterro de Mogi Guaçu (SP) recebeu nota baixa (6,9) na avaliação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e está em situação inadequada, sendo considerado fonte altíssima de contaminação. Apesar disso, continua funcionando irregularmente. O aterro não tem licença do órgão desde 2016.

O terreno do aterro tem aproximadamente 140 mil metros quadrados e recebe 95 toneladas por dia de lixo. Moradores do entorno também reclamam da situação do local. 

A classificação foi divulgada este mês no Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos de 2017. Ao todo foram fiscalizados 645 aterros no estado, sendo 39 nas cidades das regiões de Campinas (SP) e de Piracicaba (SP).

Em SP foram 25 aterros irregulares ao todo. Na região, apenas o de Mogi Guaçu recebeu nota abaixo de 7,1 - limite mínimo para se enquadrar em condições adequadas com total controle da poluição.

A Prefeitura informou que está buscando uma licença de operação do aterro sanitário.

As cidades que tiveram as maiores notas na região foram: Águas de São Pedro (SP), Elias Fausto (SP), Monte Mor (SP), Rafard (SP) e Piracicaba (SP), com 9,8. As demais cidades tiveram notas a partir de 7,6.

Longe do ideal
De acordo com a Cetesb, o aterro de Mogi Guaçu não tem mais vida útil, e não é de hoje. Em 2016 a Prefeitura apresentou um plano de adequação, mas ele não foi cumprido integralmente. Desde então, o local não possui licença ambiental.

Os principais problemas encontrados pelo órgão foram:

• Não tem frente de operação, ou seja, não cobrem o lixo depositado com terra;
• Parte do local não tem impermeabilizante;
• Falta de canalização do chorume, que se espalhou por todo o aterro;
• Mosca, odor e grande número de aves e urubus.

Em março deste ano, uma nova visita dos técnicos da Cetesb apontou que a nota, atualmente, é menor do que a registrada em 2017, porque a situação piorou. De 6,9 caiu para 3,5, com ainda mais áreas de lixo descoberto.

Multas sem resultado
Desde 2016 o órgão aplica multas de cerca de R$ 8 mil, e em setembro de 2017 a punição chegou a ser diária. É a última instância de penalização antes de uma interdição. Um novo plano de recuperação foi apresentado, mas não teve resultados práticos.

Segundo a Cetesb, a área ainda pode ser recuperada, mas novas punições podem ser aplicadas, se nada for feito. Inclusive, pode ser determinada a interdição do aterro.

A Prefeitura alegou que há um impasse com o comando aéreo, por causa de uma pista de pouso e decolagem a menos de 8 km do aterro, e que não está com a situação regularizada. A administração municipal segue nas tratativas com a Cetesb para adequar o aterro e atender às normas exigidas. Disse, ainda que não recebeu, oficialmente, informação sobre multas.

Informações: G1