Capital indiana produz nove mil toneladas de lixo por dia

Professor Resíduo
04:00:PM - 31/Jul/2018
Capital indiana produz nove mil toneladas de lixo por dia
Profissão Repórter – Lixo e poluição – 25/07/2018

31/07/2018| 16h00

Quase todo esse lixo é levado para local conhecido como Montanha da Morte. No Brasil, cariocas sofrem com o lixo e ribeirinhos do Pará convivem com vazamento de metais tóxicos.

Nova Delhi, na Índia, tem 29 milhões de habitantes e produz nove mil toneladas de lixo por dia. Quase todo esse lixo é levado para um local conhecido como Montanha da Morte. Diariamente, cerca de 150 caminhões carregados com, pelo menos, 10 toneladas de lixo sobem até o topo dessa montanha.

Famílias inteiras trabalham dia e noite no lixão, recolhendo material para tentar vender. As crianças também trabalham e não vão para escola. Os pais não têm nenhuma perspectiva de melhora para a vida dos filhos. Eles ganham o equivalente a menos de 1 dólar por dia.

Cerca de 20 famílias vivem na beira da Montanha da Morte. Eles não têm acesso à água potável e usam água suja para tomar banho, cozinhar e beber. Uma criança chega a trabalhar até 15 horas no lixo, sem uso de proteção.

"O que está acontecendo com essas crianças não é nada menos do que criminoso. Eles estão arruinando a própria saúde. Eles são pobres e não têm estudo. Essa é a única forma de sustento que eles conseguem ter, mas nesse processo, eles arruínam sua saúde, seus pulmões, outros órgãos e todos morrem de forma prematura”, diz Arvind Kumar, do Instituto de Ciências Médicas de Nova Delhi.

Além do lixo, o ar na cidade também é muito poluído. Em 2017, respirar o ar de Nova Delhi equivaleu a fumar, em média, 10 cigarros por dia. Mas a 300 km dali, em Gwalior, o ar é ainda pior. Segundo a OMS, a cidade tem o ar mais poluído da Índia.

No maior hospital de Gwalior, um médico explica como a poluição afeta a vida dos moradores: “Definitivamente, a poluição do ar é o principal fator que provoca essas doenças. Vários pacientes chegam aqui reclamando de sintomas como tosse e falta de ar”.

Lixo e descaso no Rio de Janeiro
O gari carioca Jota Jr. ficou conhecido nas redes sociais. Ele posta vídeos na internet que mostram o descaso com o descarte do lixo. Um desses vídeos foi visto mais de 13 milhões de vezes. Ele mora no bairro da Penha, perto de um córrego que virou depósito para vários tipos de lixo.

Luzia e Darci Mulatino pescam nas águas poluídas da Baía de Guanabara há mais de 30 anos. “Tem mais sujeira do que peixe. Ás vezes não tem um peixe, só tem sujeira”, diz Luzia.

A Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro diz que há três obras previstas para fazer a captação e tratamento de esgoto. Duas delas estão paralisadas. Quando terminadas, a promessa é evitar o despejo de 1.900 litros de esgoto in natura por segundo em rios e córregos que desaguam na Baía de Guanabara.

Denúncia de vazamento no Pará
Moradores ribeirinhos de Barcarena, no Pará, dependem de rios e igarapés. Um deles está contaminado pelo chorume que vaza de um lixão municipal a céu aberto. Segundo o Instituto Evandro Chagas, órgão ligado ao Ministério da Saúde, os metais tóxicos que vazaram da refinaria Hydro Alunorte agravaram a situação. O Ministério Público investiga esse possível vazamento, que aconteceu em fevereiro deste ano.

Maria Salustiano diz que o terreno de sua casa foi inundado por rejeitos que vazaram da Hydro Alunorte. Ela conta que isso acabou com suas plantações de mandioca, arroz e cana, e também com sua criação de galinha. A bacia da empresa, onde são depositados os rejeitos da produção de alumínio, fica a 200 metros da casa de Maria. “O cheiro forte vai queimando e faz a gente passar mal. Isso tá acabando comigo. Eles querem que eu me controle, mas como posso me controlar se eu tô no meio da poluição, no meio do tóxico?”, lamenta a moradora.

Em um relatório, feito por um comitê federal, o lixão municipal é apontado como uma das fontes de contaminação da água em Barcarena. A cidade tem um dos piores índices de saneamento do país. Os técnicos do Instituto Evandro Chagas mediram os impactos da contaminação em oito rios e igarapés da região e divulgaram dois relatórios. Com base neles, a Hydro Alunorte foi multada e teve 50% da sua produção paralisada.

O diretor industrial da Hydro Alunorte, Robson Holanda, contesta esses relatórios e nega que metais tóxicos tenham vazado da refinaria. A empresa norueguesa apresentou um relatório feito pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará. O documento aponta que a fiscalização realizada no dia 17 de fevereiro não encontrou indícios de transbordamento ou vazamento de material da refinaria. Mas em inspeções mais recentes, os mesmos fiscais relatam a descoberta de três pontos irregulares de despejo, que lançavam rejeitos da Hydro Alunorte para o meio ambiente.

Informações: G1 -  Globo Repórter