Na contramão: centro-oeste é a pior região no descarte de lixo urbano

Professor Resíduo
01:00:PM - 20/Aug/2018
Na contramão: centro-oeste é a pior região no descarte de lixo urbano
Hugo Barreto/Metrópoles

20/08/2018| 13h00

Mesmo abrangendo grande parte das cidades com o serviço de coleta, a região central do país ainda é atrasada na gestão de resíduos sólidos

Apesar de o Centro-Oeste possuir 81% de cobertura na universalização do serviço de coleta urbana, a região ainda apresenta resultados preocupantes em relação à gestão de resíduos sólidos. De acordo com o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU), responsável por mensurar o grau de adesão dos municípios brasileiros à Política Nacional de Resíduos Sólidos, 85,6% das cidades da região ainda descartam lixo de maneira incorreta.

Neste quesito, o Sudeste se sai melhor, a cobertura da região envolve 84% das residências. O Sul, que lidera em quase todos os índices, tem uma taxa de 72%, enquanto Nordeste e Norte contam com 66% cada.

“A região Centro-Oeste, infelizmente, ainda está atrasada no desenvolvimento de políticas públicas voltadas à gestão de resíduos sólidos”, destacou o presidente do Sindicato Nacional de Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), Marcio Matheus.

A Lei Federal nº 12.305/10 – que visa o avanço no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos – existe há oito anos no país. Mesmo assim, o volume de reciclagem praticada no Centro-Oeste está bem abaixo  (1,40%) na média nacional, que é de 3,7%.

ISLU
O Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU) varia entre 0 (baixo desenvolvimento) e 1 (alto desenvolvimento) e analisa os dados oficiais mais recentes disponibilizados pelas próprias cidades de cada região no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). O desempenho é classificado entre muito alto (acima de 0,8), alto (acima de 0,7), médio (acima de 0,6), baixo (acima de 0,5) e muito baixo (abaixo de 0,5).

O Centro-Oeste pode ser classificado como tendo um desempenho baixo, pois a média geral é de 0,5, inferior ao índice médio nacional, de 0,6. Entre as principais cidades da região (Anápolis, Aparecida de Goiânia, Brasília, Campo Grande e Goiânia), as melhores notas estão enquadradas no desempenho “médio”. Brasília é a cidade com o percentual mais baixo na gestão de resíduos sólidos.

O presidente do Selurb destaca que para a melhora dos índices é essencial a criação de métodos para financiar o trabalho de coleta, tratamento e destinação do lixo. “O serviço de limpeza urbana é como o fornecimento de água, luz e gás, precisa de uma fonte de receita específica para ser sustentável e melhorar os resultados”, afirma.

Na contramão
Outro dado preocupante é que o Centro-Oeste vai à contramão de todas as outras regiões do país. Enquanto Sul, Norte, Sudeste e Nordeste apresentam evolução no índice ano a ano, em 2018 a nota da região teve variação negativa de 0,0006%, comparada a 2017.

Em setembro de 2015, o Brasil estabeleceu metas a serem cumpridas pelo país na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. Elas devem ser efetivadas até 2030. Porém, com os baixos índices de desenvolvimento na gestão de resíduos sólidos da Região Centro-Oeste, torna-se mais difícil saber quando essas melhorias serão colocadas em prática.

Descarte incorreto
Após oito anos de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), apenas seis cidades brasileiras alcançaram a faixa de pontuação mais alta do ISLU, criado em 2016 para mensurar o grau de aderência desses locais às metas e diretrizes por ela fixadas. De acordo com o estudo, entre as cidades participantes, 53% continuam destinando o lixo incorretamente.

Os dados apontam que a coleta domiciliar está longe da universalização, atendendo cerca de 76% dos lares brasileiros. Aproximadamente 61,6% dos municípios ainda não estabeleceram fonte de arrecadação específica para custear a atividade e o índice médio de reciclagem no Brasil não passa dos 3,7%.

Estudos projetam que se o Brasil continuar no ritmo atual não conseguirá atingir as metas ligadas à gestão de resíduos sólidos assumidas durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em setembro de 2015, as quais estabelecem melhorias até 2030.

Informações: https://www.metropoles.com