Inea pretende acabar com lixões do Rio até 2020

Professor Resíduo
09:00:AM - 14/Sep/2018
Inea pretende acabar com lixões do Rio até 2020
Atualidades

14/09/2018| 09h00

Informação foi divulgada pelo presidente da instituição durante audiência pública na Alerj

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) pretende fechar até 2020 os dez lixões que ainda estão operando no estado. A informação foi divulgada pelo presidente da instituição durante audiência pública da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na terça-feira (10).

“Não depende só do Inea. Tem lixão que a gente já interditou, mas a Justiça mandou abrir. Existem municípios que recorrem mostrando que não têm outra alternativa de descarte e que precisam de tempo para licitar. Mas mesmo assim a gente tenta e pretende resolver a curto prazo”, afirmou.

De acordo com o presidente, dos 92 municípios do Rio de Janeiro, 11 ainda despejam resíduos em lixões. E a questão financeira inviabiliza que todas as prefeituras do estado adotem o despejo em aterros. “Tem muitos municípios que, por questão financeira, estão voltando a despejar nos lixões. É preciso analisar a parte econômica e quanto isso custa para cada cidade”, disse.

Além dos lixões em atividade no estado, há um aterro com licença de operação em recuperação e um com autorização de funcionamento. Dois estão paralisados e 18 operam normalmente. Ao todo, 74 municípios do Rio cumprem com a Lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010, e despejam os resíduos em aterros. Diariamente eles recebem 18 mil toneladas de lixo.

O presidente do Inea também apontou outro problema agravado pela falta de recurso dos municípios. “É preciso pensar em um tratamento específico para o chorume - líquido proveniente da decomposição do lixo. O tratamento é extremamente caro e se torna economicamente inviável. Esse é um problema que aparece mais no verão, mas faz grandes estragos no meio ambiente. É preciso pensar isso como uma parte importante do problema de descarte de lixo”, ressaltou.

Lixo rentável
O integrante do Conselho de Meio Ambiente da Firjan lembrou que o lixo tem um valor econômico e que os municípios precisam enxergar os resíduos como um mercado rentável. “Vou dar um exemplo prático: depois de um evento, vários catadores correm e pegam latinhas para revender. Com o lixo é da mesma forma. O resíduo da construção civil, por exemplo, pode ser transformado em base para pavimentação de vias. Todo município tem esse problema de descarte, mas isso pode ser revertido em dinheiro. A gente precisa de uma segurança econômica e jurídica para viabilizar os projetos que existem”, argumentou.
Coleta Seletiva
Responsável pela coleta seletiva de lixo na cidade do Rio, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) informou que a população ainda não cumpre seu papel no descarte. “A cidade conta com 160 bairros, desses, 113, são atendidos pelos caminhões de coleta seletiva da companhia, mas muitos voltam vazios. A população ainda precisa estar mais informada e melhorar a educação ambiental”, afirmou o diretor de Serviços Urbanos da Comlurb. Ele explicou que o caminhão da coleta seletiva passa pelos bairros uma vez por semana e lembrou que a companhia está fazendo uma pesquisa em mais de dez mil domicílios para saber por que a população ainda não está engajada.

A professora do curso de Ciência Ambiental na Universidade Federal Fluminense (UFF), Barbara Franz, frisou que além da população, comerciantes também não sabem da importância da coleta seletiva e falou sobre a importância de informar os cidadãos. “Falta por parte das prefeituras e das empresas de coleta seletiva divulgar mais como funciona essa coleta, o que é, quais são os dias e horários que ela funciona e como separar esse resíduo”, explicou.

O presidente da comissão, deputado André Lazaroni (MDB), anunciou que vai criar um grupo de trabalho para que todos os representantes que participaram da audiência tragam suas contribuições. “O objetivo é montar um plano de ação e resolver esse grave problema”, concluiu o parlamentar.

Informações: https://odia.ig.com.br/