Quase 150 mil toneladas de lixo têm destino impróprio

Professor Resíduo
08:00:AM - 22/Oct/2018
Quase 150 mil toneladas de lixo têm destino impróprio
Agência Brasil

22/10/2018| 08h00

Relatório da ONU aponta que resíduos depositados em área inadequada produzidos no Caribe e América Latina devem subir 25% até 2050

Conforme relatório do setor de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 145 mil toneladas, ou um terço do lixo, produzido em países do Caribe e da América Latina são depositados em locais inapropriados todos os dias. Só o Brasil é responsável por um quarto desse montante.

O problema é maior ainda porque a previsão é de que a produção de resíduos nesses territórios deve subir pelo menos 25% até 2050. As informações fazem parte do estudo Perspectivas sobre a Gestão de Resíduos na América Latina e no Caribe, documento lançado na semana na Argentina em um evento sobre sustentabilidade.

"Mesmo com algumas melhorias alcançadas em um período mais recente, cerca de 170 milhões de pessoas ainda estão expostas às consequências desse problema em decorrência dos graves impactos causados ao meio ambiente (solo, ar e água) e à saúde da população", analisou Carlos Silva Filho, diretor presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) e membro do comitê diretivo da pesquisa divulgada pela ONU Meio Ambiente.

O relatório conclui que a região latino-americana enfrenta ainda o desafio de chegar a uma economia circular, já que apenas 10% dos resíduos são reaproveitados por meio da reciclagem ou de outras técnicas de recuperação de materiais.

"Além de práticas mais avançadas de valorização e recuperação dos materiais descartados e de regras de governança, o relatório também aponta que a carência de recursos para investimentos e custeio das operações é em grande parte a causa dos problemas verificados, com impactos diretos na poluição ambiental, que é crescente, e na saúde das pessoas", avaliou Silva Filho.

Brasil
Dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, produzido pela Abrelpe, mostram que a geração total de resíduos sólidos urbanos no Brasil foi de 78,4 milhões de toneladas em 2017, crescimento de 1% em relação a 2016. Cada brasileiro também produziu mais lixo em 2017, 378 quilos por ano, volume que daria para cobrir 1,5 campo de futebol.

De acordo com a publicação, a destinação irregular de resíduos aumentou 1%, com um volume total que seria suficiente para cobrir uma área equivalente a 600 Parques do Ibirapuera, em São Paulo.

Pelo segundo ano consecutivo, houve aumento na quantidade de resíduos direcionados para lixões, que é a pior forma de destinação de resíduos, segundo a associação. Foram quase 13 milhões de toneladas destinadas a lixões no país.

"Ao compararmos os dados do panorama com os do relatório da ONU, verificamos que a quantidade de lixo enviada para lixões no Brasil corresponde a quase 25% do total de resíduos que tiveram essa destinação inadequada em toda América Latina e Caribe, ou seja, um quarto da destinação inadequada da região", disse Carlos Silva Filho.

Ele avalia que os números apresentados são bastante preocupantes e mostram que, caso não sejam adotadas medidas urgentes para reverter esse quadro, há o risco de o problema tomar proporções irreversíveis, seja porque os custos de recuperação serão astronômicos ou porque as alternativas de recuperação não surtirão mais efeito, tamanho o grau de degradação.

Plano de Resíduos
Um levantamento do Ministério do Meio Ambiente aponta que pouco mais da metade dos municípios brasileiros (54,8%) tem um Plano Integrado de Resíduos Sólidos. De acordo com os dados, a gestão de resíduos sólidos tende a ser maior em municípios mais populosos, variando de 49% em cidades de 5 mil a 10 mil habitantes até 83% em cidades com mais de 500 mil habitantes.

A Lei nº 12.305 de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelece que cada município brasileiro precisa elaborar um plano de gestão integrada de resíduos sólidos como condição para acessar recursos da União para projetos na área.

Informações: https://www.destakjornal.com.br, Agência Brasil