Chineses desejam também investir no saneamento básico do Brasil

Professor Resíduo
08:00:AM - 17/Dec/2018
Chineses desejam também investir no saneamento básico do Brasil
Portal Tratamento de Água

17/12/2018| 08h00

R$ 90 bilhões é o valor aproximado do investimento de companhias chinesas no Brasil desde 2016, principalmente nas áreas de energia elétrica, óleo e gás

Grupos chineses planejam dar os primeiros passos no setor de saneamento básico no Brasil, com negociações nos segmentos de água, esgoto e resíduos.

Ao menos três empresas estão interessadas em comprar obras paralisadas na área, segundo analistas.

"Elas têm buscado concessões de médio porte no primeiro momento. A ideia é tatear o mercado antes de fazer investimentos maiores", diz o especialista em negócios com a China da KPMG.

A estratégia, afirma ele, seguiria o exemplo das empresas de eletricidade ao entrar no país. Elas começaram com ativos menores e hoje têm participação relevante.

A China Gezhouba Group Company (CGGC) se tornou pioneira no saneamento ao comprar, em maio, os direitos do consórcio do sistema produtor São Lourenço, responsável por abastecimento de água em São Paulo.

A empresa mira novos ativos, diz um analista.

Outra empresa apontada como interessada em entrar no mercado é a Fosun, que já está no país, na área de finanças. A CCCC, que também tem presença no mercado brasileiro, e a Datang seriam outras que estariam analisando ativos.

Procurado, o grupo Fosun não quis comentar. A CCCC também não atendeu aos pedidos de entrevista. A reportagem não conseguiu contato com a Datang e com a CGGC.

Incertezas como governo Jair Bolsonaro , que deu declarações críticas sobre investimentos chineses, não deverão afetar o avanço no setor. "Não haverá um impacto grande. O próprio Bolsonaro já suavizou seu discurso", diz o sócio da L.O. Baptista Advogados.

No setor de saneamento, a potencial interferência federal seria ainda menor, porque a maioria das concessões é municipal ou estadual. Hoje, a prioridade dos chineses são concessões já em andamento, afirma o advogado.

Já há negociações entre chineses e companhias envolvidas na Operação Lava Jato, que interromperam projetos por problemas financeiros, diz um analista. Segundo ele, nesses casos, um dos entraves tem sido a definição do preço.

O número de obras paradas também chama a atenção. No país, há quase 500 projetos de saneamento interrompidos, mostra levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Outro segmento que tem atraído os chineses é o de destinação de resíduos. Nessa área, há três grandes grupos interessados em concessões, diz o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China.

Recentemente, diz ele, um encontro em Pequim reuniu empresários e autoridades brasileiras para tratar de projetos com novas tecnologias usadas para destinar o lixo.

Informações: http://www.diariodonordeste.verdesmares.com.br