Prognóstico aponta para uma maior poluição por plásticos nas próximas décadas

Professor Resíduo
08:30:AM - 03/Jan/2019
Prognóstico aponta para uma maior poluição por plásticos nas próximas décadas
pensamentoverde.com.br

03/01/2019| 08h30

O material que surgiu no começo do século 20, fruto de uma série de contribuições de diversos cientistas, transformou-se em “queridinho” da indústria. Proporcionou a execução de tarefas até então impossíveis, como guardar alimentos por mais tempo sem estragá-los, substituir vidros em garrafas e gerar peças de carro mais baratas. Porém, nas últimas décadas, o uso exagerado desse produto tem resultado em uma grande ameaça ao meio ambiente.

Pesquisas recentes mostram aumento extremo na terra e na água dos mais diversos resíduos de plástico. São embalagens, sacolas, brinquedos, veículos, materiais hospitalares, produtos diversos que, quando perdem a utilidade, demoram mais de décadas para se decompor. De acordo com a ONU, demora cerca de 450 anos para que uma garrafa de plástico desapareça da natureza. Segundo o órgão também, 1 milhão desses produtos é comprado a cada minuto no planeta.

Uma das poucas alternativas para impedir que ele se acumule nos lixões e nos oceanos é a reciclagem. Porém, esse processo nem sempre ocorre, segundo o primeiro estudo sobre produção, uso e destino do plástico. Os especialistas descobriram que, de 1950 — data em que começou a produção em larga escala dos materiais sintéticos — até 2015, 8,3 bilhões de toneladas métricas de plástico foram geradas pelo homem.

Desse total, 6,3 bilhões de toneladas se tornaram resíduos, e reciclou-se menos de 10%.

Os cientistas compilaram dados estatísticos de geração de resinas, fibras e aditivos em várias fontes da indústria. Os resultados da análise trazem um cenário alarmante. A produção anual subiu de 2 milhões de toneladas métricas, em 1950, para 400 milhões de toneladas métricas, em 2015. Caso o cenário de consumo não mude, os especialistas acreditam que, nos próximos 33 anos, a quantidade atingirá a marca de 34 bilhões de toneladas métricas.

Ainda de acordo com as estimativas, 12 bilhões de toneladas métricas de plástico se transformarão em resíduos que terão como destino aterros sanitários ou o ambiente natural.

Alguns países começam a mudar a gestão das sobras sintéticas. A Noruega é uma das nações pioneiras nessa empreitada. Sua  capital, Oslo, se tornou exemplo de sustentabilidade, com intenso projeto de reciclagem de resíduos.

A necessidade de combater o aumento do plástico no ambiente é uma das maiores preocupações das Nações Unidas, que têm voltado os olhos para um dos ecossistemas mais prejudicados pelo descarte do material. Em uma de suas campanhas, chamada ONU Mares Limpos, a organização busca combater o acúmulo de microplásticos nos oceanos.

Cientistas também têm advertido sobre o problema, reforçando o impacto na vida de animais marinhos. “Os plásticos liberam componentes tóxicos na água”, explica um professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Instituto do Mar, em São Paulo. Em uma de suas pesquisas sobre o tema, o brasileiro analisou a presença de microplásticos nas praias de Paranapuã e Itaquidantuva, em São Paulo. Durante um ano de visitas semanais para recolher amostras, ele e colaboradores encontraram taxas altas do produto nas regiões. Os resultados foram divulgados em 2017, na revista Environmental Pollution e Water Research.

O professor também realizou testes em laboratório com larvas de mexilhões marrons presentes nos mares. “Vimos que só a presença do plástico na água já os tornou tóxicos”, conta. O cientista acredita que, mesmo sem termos ideia dos efeitos que o material pode causar ao organismo humano, é necessário nos preocuparmos com essa questão. “Sabemos que essa não é uma molécula natural, e isso já é um motivo para nos preocuparmos”, justifica.

São partículas de plástico com menos de cinco milímetros, criadas a partir do descarte e da degradação de pedaços maiores do material. Também são produzidas industrialmente para o uso em alguns produtos. Pesquisas sinalizam que o microplástico tem impacto na saúde humana, sobretudo no trato gastrointestinal, onde pode interferir na resposta imunológica do organismo.

Informações: https://www.correiobraziliense.com.br