Mais um desastre ambiental na região sudeste do país

Professor Resíduo
11:00:AM - 28/Jan/2019
Mais um desastre ambiental na região sudeste do país
BBC

28/01/2019| 11h00

Barragem da Vale rompeu e outra transbordou

O rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG), na sexta (25), deixou ao menos 60 mortos. Há ainda outras 292 pessoas desaparecidas.

O desastre liberou cerca de 13 milhões de m³ de rejeitos de minério de ferro da mina do Feijão no rio Paraopeba. A lama se estende por uma área de 3,6 km² e por 10 km, de forma linear.

Os Bombeiros trabalham no resgate de vítimas, mas a chance de encontrar sobreviventes é quase zero. Forças de busca de Israel foram enviadas para auxiliar nos trabalhos.

A barragem 1 da mineradora Vale em Brumadinho (MG), que continha jeitos de minério de ferro, rompeu-se. Com isso, ao menos outra barragem do sistema da mina do Feijão transbordou. A principal área afetada foi o centro administrativo da Vale, onde, no momento do rompimento, havia cerca de 300 funcionários. Outros 120 estavam em outros locais da região da mina. A lama também atingiu a comunidade rural Vila Ferteco e chegou até o rio Paraopeba, a mais de 5 km da barragem. A lama se estende por uma área de 3,6 km² e por 10 km, de forma linear.

Até a manhã desta segunda (28), 60 corpos haviam sido encontrados desses, 19 foram identificados.

Estão desaparecidas 292. Dos 427 funcionários da Vale, 279 haviam sido encontrados vivos na noite de sexta. Os Bombeiros resgataram 192 pessoas.

No domingo (27), os bombeiros iniciaram a evacuação de comunidades de Brumadinho após a constatação de que uma segunda barragem da Vale apresentava risco iminente de rompimento. Trata-se de um repositório de água com 1 milhão de m³. Um alarme de aviso sobre rompimento de barragem soou às 5h30. A possibilidade de um novo rompimento foi descartada depois.

Uma força tarefa de quase 300 bombeiros trabalha nas operações de busca. Os locais são de difícil acesso por causa da lama de rejeitos. Para trabalhos em determinadas áreas é exigido o acesso com apoio aéreo, por meio de helicóptero. Brigadistas e voluntários também auxiliam no resgate. Além disso, uma equipe de 136 militares enviada pelo governo de Israel chegou a Belo Horizonte no domingo à noite.

A barragem não recebia mais rejeitos da mineração desde 2015, mas ainda armazenava resíduos antigos.

Existem diferentes órgãos responsáveis pela fiscalização. No caso dos reservatórios ligados às minas, isso fica a cargo da Agência Nacional de Mineração. 

Segundo relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) foram identificadas, até 2017, 24.092 barragens. Naquele ano, havia apenas 154 funcionários para fiscalizar todos os reservatórios do país, entre estaduais e federais.

A Justiça de Minas Gerais acatou diferentes pedidos de bloqueio de valores da Vale. Somados, até o momento, eles contabilizam R$ 11 bilhões. Há ainda uma multa aplicada pelo Ibama, de R$ 250 milhões. Foi instaurado inquérito para apurar as causas do rompimento.

ONGs e estabelecimentos públicos e comerciais arrecadam itens de primeira necessidade para auxiliar os atingidos. Moradores, porém, ressaltam que há ainda a possibilidade de doações financeiras e de sangue.

O número de pessoas mortas é superior ao da tragédia de 2015, quando a barragem de Fundão deixou 19 mortos. Em termos ambientais, porém, os danos tendem a ser menores, uma vez que o volume de rejeitos de minério expelidos pelo rompimento em Brumadinho é estimado em cerca de um quarto do de Mariana, e o material é menos úmido.

O museu ao ar livre, que fica localizado em Brumadinho, não havia sido atingido pela lama. Contudo, por precaução, foi evacuado na sexta e ficará fechado até o fim de janeiro.