Para muitas empresas resíduos são pura matéria-prima

Professor Resíduo
08:30:AM - 11/Feb/2019
Para muitas empresas resíduos são pura matéria-prima
Crédito: Bosch

Estação da coleta seletiva na Bosch. Separar resíduos é essencial para destiná-los corretamente.

11/02/2019| 08h30

O conceito de lixo – aquilo que não pode ser reaproveitado, é sujo e sem utilidade – está ficando ultrapassado. Cada vez mais, converge-se para um modelo de economia circular – onde nada é desperdiçado. Chegar nesse estágio, de eliminar o descarte e reinserir materiais de volta na cadeia, não é fácil: envolve tecnologia, força de trabalho qualificada e tempo. Duas empresas grandes venceram o Prêmio Eco de sustentabilidade da Amcham ao mostrarem que isso é possível.

Olhar o potencial do resíduo foi a chave para que a Ambev alcançasse o reaproveitamento de mais de 99% de tudo o que sobra na produção – seja material orgânico ou inorgânico – em todas as 40 unidades fabris. Cada um dos 30 coprodutos do processo tem um tratamento e destinação específica, podendo ser vendidos para fornecedores interessados naquele produto ou reciclados. Apenas em 2018, a venda desses coprodutos gerou uma receita de mais de R$ 115 milhões para a companhia.

O gerente de sustentabilidade da Cervejaria Ambev conta que um dos grandes desafios do projeto foi estudar cada coproduto e estabelecer qual era a melhor possibilidade de destinação para ele. Um exemplo desse sucesso é o reaproveitamento do bagaço de malte.

Além do aprimoramento e venda de materiais como o bagaço, todas as unidades da Cervejaria Ambev contam também com uma Central de Reciclagem, que vende os recicláveis diretamente para clientes finais. Os materiais que não conseguem ser reaproveitados (menos de 1%) são encaminhados para aterros sanitários homologados, que passam por auditorias e que têm as licenças checadas quatro vezes por ano.

Sobras de alimento e de poda e jardinagem, lodo, resíduos de construção civil e materiais não recicláveis tinham, como destinação final, o aterro sanitário. Quando o Grupo Bosch decidiu eliminar completamente a destinação de qualquer material para o aterro, teve que lidar com a diversidade desses rejeitos, ao mesmo tempo em que encontrava soluções que eram economicamente viáveis.

A empresa já separava os resíduos antes do projeto. O desafio seguinte foi identificar receptores habilitados para receber cada tipo de material. No caso de guardanapos sujos, adesivos e papel plastificado, foi escolhido o processo de co-processamento, em que os resíduos são preparados para formar um composto durante a fabricação de cimentos. No caso de resíduos orgânicos, as 179 toneladas geradas por ano são compostadas, assim como o lodo doméstico que sobra da estação de tratamento de efluente. O maior volume de resíduos gerados é o de construção civil. As 1900 toneladas por ano são enviadas para britagem. Com o projeto, a empresa deixa de enviar 4,5 mil toneladas de resíduos para aterros nos últimos dois anos.

O gerente de Facility Management da Bosch ressalta que trazer tecnologia foi fundamental para o projeto e alterou a destinação de resíduos orgânicos, como sobras de alimentos. Através da compostagem líquida, feita na própria unidade, a empresa conseguiu economizar R$ 100 mil – dinheiro que pagava a logística de descarte para os aterros.