Relatório indica que Brasil produz quase 12 milhões de toneladas de lixo plástico por ano

Professor Resíduo
06:30:PM - 29/Mar/2019
Relatório indica que Brasil produz quase 12 milhões de toneladas de lixo plástico por ano
Roteiro de Notícias

29/03/2019| 18h30

O World Wildlife Fund (WWF) aponta o Brasil como quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, gerando 11,3 toneladas por ano. O relatório, elaborado com base no estudo “What a Waste 2.0: A Global Snapshot of Solid Waste Management to 2050”, do Banco Mundial, assinalou também que apenas 1,28% desse total é reciclado.

A gerente do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF diz que o baixo índice é um reflexo, principalmente, da falta de infraestrutura para atender a grande demanda. “A falta de infraestrutura adequada resulta na impossibilidade de fazer reciclagem em larga escala e as empresas não compram porque reclamam que essa matéria-prima é cara”, explica.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) enfatiza que a existência de uma barreira de infraestrutura: “temos que resolver dois gargalos: como fazer com que o material pós-consumo seja devidamente coletado e como fazer com que esse material coletado chegue, de fato, aos recicladores.” Explica também que existem outras questões impeditivas à cadeia de logística reversa: “consumismo desenfreado, descarte incorreto de resíduos sólidos, ausência de uma efetiva coleta seletiva, baixa conscientização e educação ambiental da população, baixa valorização de produtos feitos de material reciclado e falta de incentivos fiscais à cadeia impossibilitam um maior índice de reciclagem no Brasil.”

A Abiplast divulgou uma nota apontando o que acredita ser um equívoco nos dados de geração de lixo plástico e índices de reciclagem apresentados pela organização, devido a simplificações na metodologia. O presidente menciona que há incoerência entre os números apresentados pela organização e os disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Fundação Instituto de Administração (FIA).

“Segundo o IBGE, o Brasil consumiu 6,3 milhões de toneladas de produtos transformados plásticos em 2016, sendo que 2,1 milhões de toneladas se referem a embalagens e equiparáveis pós-consumo. Já de acordo com a FIA, a reciclagem de plásticos no Brasil, naquele mesmo ano, foi de 550,4 mil toneladas. Logo, temos um índice de reciclagem de cerca de 26% no País”, afirma.

Ainda assim, o executivo declara que existe a necessidade de um cenário diferente. “Esse número poderia ser muito maior caso todos os envolvidos assumissem suas respectivas responsabilidades e fosse realizada uma análise sistêmica da questão”, explica.

O plástico é utilizado em inúmeros setores como na construção civil, indústria têxtil, eletrônicos e agricultura. Para o presidente da Abiplast, mesmo com movimentos de sustentabilidade contrários ao uso, o plástico ainda é significativo. “O material continuará a ter sua importância para a sociedade – como para preservar a validade dos alimentos, evitando desperdícios”, observa.

O presidente diz que 70% da indústria corresponde a produtos com ciclo de vida médio (entre 1 e 5 anos) e longo (acima de 5 anos). Entretanto, o relatório do WWF apontou que 75% de todo plástico já produzido foi descartado.

A rentabilidade da matéria-prima reciclada depende da qualidade do material. Segundo o WWF, a garantia de qualidade existe quando há poucas impurezas no plástico e quando ele é uniforme (oriundo de uma mesma fonte). “O sucesso desse processo depende de que valor esse plástico é negociado e seu volume (que permita atender demandas industriais)”, afirmou a organização.

Uma das empresas vencedoras do Prêmio Eco 2018 Eco Panplas desenvolveu uma solução ecológica para a descontaminação do lixo plástico e que permite a utilização de 100% da matéria-prima oriunda do lixo. “Permitimos que o material seja valorizado por ter mais qualidade e possa ser aplicado para a confecção de novos produtos com maior valor agregado”, comenta o CEO da Eco Panplas. O processo de limpeza utiliza uma substância ecológica desenvolvida pela empresa que elimina a necessidade da aplicação de água, evitando a contaminação deste recurso. “Separamos os insumos e conseguimos recuperar também todo o produto residual das embalagens, reciclando-o também. O plástico, o óleo e o rótulo são reciclados”, esclarece.

Por garantir a qualidade da resina obtida para a fabricação de novos materiais, o executivo explica que a matéria-prima pode ser usada na produção de mercadorias com maior valor agregado, como uma embalagem ao invés de tubos para construção civil, por exemplo.