Lixo descartado na Baía de Guanabara gera prejuízo de R$ 50 bilhões por ano

Professor Resíduo
07:00:PM - 29/Mar/2019
Lixo descartado na Baía de Guanabara gera prejuízo de R$ 50 bilhões por ano
eCycle

29/03/2019| 19h00

Na semana que se comemora o Dia Mundial da Água, o Rio de Janeiro não tem nada para comemorar. As condições das águas não são nada favoráveis. Uma das regiões mais sofridas é a Baía de Guanabara.
Segundo dados, bilhões de litros de chorume são despejados na Baía de Guanabara todo ano, de acordo com denúncia do Movimento Baía Viva.

O vazamento de chorume proveniente do lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, foi objeto de reunião esta semana no Ministério Público Federal de São João de Meriti com pescadores artesanais da região, acompanhados do coordenador do Baía Viva. As empresas que respondem pelas estações de tratamento desse resíduo não foram convidadas para o encontro, o mesmo ocorrendo em relação ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Um estudo inédito do Movimento Baía viva, elaborado entre 2017 e 2018, concluiu que o descaso com o meio ambiente causa prejuízos bilionários para o Estado do Rio de Janeiro, provocando um rombo de R$ 50 bilhões por ano.

“Os pontos destacados para esse prejuízo são o dinheiro que entraria com o turismo na área; os gastos da sobrecarga no sistema de saúde, que precisa tratar doenças causadas pela exposição às águas sujas e pela falta de saneamento adequado; a falta de mobilidade urbana da produção e dos trabalhadores; o excesso de queima de combustíveis; as doenças da poluição do ar”, afirma o Movimento Baía Viva.

A Baía de Guanabara recebe diariamente 1 bilhão de litros de chorume por ano. Estima-se que a quantidade de chorume estocado em lagoas ou tanques de acumulação nos aterros sanitários e lixões licenciados e/ou controlados é de 500 mil m3 – ou seja, 500 milhões de litros de chorume altamente poluente. Além disso, 90 toneladas de lixo são despejadas por dia em suas águas.

A Baía de Guanabara recebe 18 mil litros de esgoto por segundo. Com a crise econômica a partir de 2015, foram paralisadas as obras do PSAM e do PDBG – projetos destinados à despoluição da Baía.

Cerca de 200 pescadores artesanais das comunidades de Saracuruna e da chacrinha, não conseguem mais tirar o sustento de suas famílias do manguezal por causa da intensa poluição na Baía. Atualmente, esses pescadores sobrevivem da catação de embalagens plásticas (principalmente garrafas PET) no poluído Rio Sarapuí e no mangue.

Em fevereiro deste ano, o governador Wilson Witzel anunciou uma negociação com a União para que um empréstimo de R$ 1 bilhão seja liberado e utilizado na despoluição da Baía de Guanabara.

O Instituto Estadual do Ambiente – Inea – se pronunciou sobre o conteúdo da reportagem através de uma nota oficial.

“Não há base técnica alguma para tais afirmações. Aterros sanitários possuem licenciamento ambiental e são estruturas executadas e operadas dentro de normas de engenharia e pelas legislações vigentes. Quando ocorre um vazamento em local licenciado, o mesmo é imediatamente identificado e iniciados os processos administrativos e operacionais necessários para garantir a segurança ambiental. Atualmente, os aterros sanitários possuem cerca de 310 mil metros cúbicos, ou seja, 310 milhões de litros de chorume acumulados nas lagoas para TRATAMENTO. O Inea fiscaliza os aterros sanitários licenciados por esse instituto, que estão instalados no entorno da Baía de Guanabara, e não constatou vazamento de chorume recente. O órgão ambiental estadual realiza rotineiramente operações para reprimir e interditar lixões clandestinos situados às margens da Baía de Guanabara. As ações de fiscalização são deflagradas a partir de um trabalho de inteligência, que o Inea vem realizando na região, e também por meio de denúncias. A população pode denunciar por meio da Ouvidoria do Inea pelo telefone 2332-4604. Em Jardim Gramacho, o Inea já multou a empresa Gás Verde por vazamento de chorume. A licença ambiental da mesma encontra-se suspensa até que ela cumpra todas as condicionantes impostas no Termo de Ajustamento de Conduta, (TAC), celebrado entre a empresa e o Inea. Pelo TAC, a empresa se comprometeu a investir R$ 9 milhões, em ações divididas em emergenciais, estudos ambientais de investigação da qualidade do solo e da água subterrânea, estudos geotécnicos e intervenções operacionais, dentre elas, a execução de melhorias na Estação de Tratamento de Chorume.”

O estudo do Baía Viva foi levantado após muitos debates em 20 fóruns itinerantes promovidos ao longo de 2017/2018 em diversos municípios e ilhas das baías de Guanabara e de Sepetiba e lagoas costeiras.