Sorocaba tem apenas 3% do lixo reciclado

Professor Resíduo
08:30:AM - 01/Apr/2019
Sorocaba tem apenas 3% do lixo reciclado
Crédito da foto: Fábio Rogério

Pesagem dos resíduos é feita para destinar ao aterro em Iperó.

01/04/2019| 08h30

Cada morador de Sorocaba produz 760 gramas de lixo por dia, informou a Prefeitura. A cidade gera 500 toneladas diárias de resíduos e, do montante, cerca de 3% passa por processo de reciclagem.

Para o professor doutor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que atua, entre outras áreas, com recursos energéticos, meio ambiente, materiais, reciclagem e tratamento de resíduos sólidos, os números podem estar desatualizados.

De acordo com doutor, ele próprio teria feito uma medida em meados de 2011 e que acabou tornando-se base para um Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos. À época, a produção per capita na cidade seria de cerca de 610 gramas/dia, levando em conta apenas resíduos domésticos. “Eu acho que não mediram de novo. No Brasil, por exemplo, o que se tem ideia é a geração de 1 quilo por habitante diariamente”, comenta.

Em janeiro de 2013, o então prefeito falava sobre a continuidade da “exportação” de lixo sorocabano para o aterro instalado em Iperó. Nela, havia a informação de que Sorocaba produzia as mesmas 500 toneladas/dia de lixo. Em levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cuja referência é 1º de julho de 2014, a cidade contava com população de 637.187 pessoas. No ano passado, o IBGE estimou a população municipal em 671.186 pessoas, o que teoricamente significaria um aumento na geração de resíduos.

Em números mais exatos, a Secretaria de Saneamento conferiu uma média mensal de 511 toneladas, levando em consideração todo o ano de 2018”, respondeu o Executivo. “Sabe-se que a estagnação econômica reduz o consumo das famílias e consequentemente diminui a geração de resíduos. Esse pode ser o fator que mais contribui para que não tenha havido significativa elevação em 2018, quando comparado com a média mensal do ano 2013. Com a recuperação da economia tende haver elevação na geração de resíduos”, emendou.

Quanto à quantia de lixo reaproveitada, o professor doutor da Unesp diz que Sorocaba teria potencial para além dos 3%. “O triste aqui é saber que estamos em um polo industrial e que a coleta seletiva teria mais mercado.” Apesar da crítica, Mancini diz que o problema não é exclusivamente municipal e sim nacional. “Existe um estudo de um professor de Uberlândia que diz que nenhum sistema de coleta seletiva desvia mais que 15% (para reciclagem) no Brasil”, cita. “E não adianta querer que aumente esse percentual sem investimento. A cidade tem prioridades e isso deve estar sendo colocado em pauta, mas talvez não seja a grande prioridade. E achar que a coleta seletiva vai se autossustentar não dá”, acrescenta.

Desde outubro de 2010, dois meses antes à regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o lixo de Sorocaba é levado ao aterro de Iperó. Conforme Mancini, a cidade gasta, em média, R$ 200 por tonelada de lixo, o que alcançaria R$ 100 mil/dia com a geração de resíduos diária. “É muito dinheiro. Estamos faz tempo falando de coleta seletiva no Brasil e a coisa está patinando. É uma realidade brasileira, mas é bem triste que não consigamos sair do lugar. Todo mundo precisa ajudar, desde quem gera o resíduo até o poder público, incluindo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário”, declara.

A pedagoga faz a parte dela no que se refere à reciclagem de materiais. À parte ao trabalho que faz com internos da Fundação Casa como funcionária da Pastoral do Menor, ela aproveita as horas vagas para reciclar vidros e transformar em petisqueiras, relógios e pratos de enfeite. Além dos itens, o carro-chefe são as bijouterias. O reaproveitamento vem sendo possível há dois anos, quando conseguiu comprar um forno que derrete e contorce os vidros para deixá-los na forma ideal para a confecção dos produtos.

Ela conta que recebe o material de amigos e também utiliza garrafas de vinho, pedaços de copos quebrados, entre outros. “Eu sempre me preocupei com a questão ambiental. Aliás, eu falo com os jovens que atendo na Fundação Casa, dá para fazer tanta coisa em cima do lixo. Estávamos estudando novas profissões e vimos que catadores de lixo vêm abrindo recicladoras, tornando-se gestores de resíduos. Dá para enxergar oportunidade no lixo."