Rio está sob ameaça de crise ambiental por causa do chorume não tratado

Professor Resíduo
10:00:AM - 17/May/2019
Rio está sob ameaça de crise ambiental por causa do chorume não tratado
Foto: Movimento Baía Viva

Grande volume do lixão de Gramacho indo para o manguezal e as águas da Baía de Guanabara, no dia 20/3/2019.

17/05/2019| 10h00

A forma como o Rio de Janeiro age em relação ao lixo produzido no estado pode ocasionar em graves problemas. De acordo com o Movimento Baía Viva, o chorume pode contaminar as baías da Guanabara (ainda mais), de Sepetiba, além do Aquífero Piranema, em Seropédica.

Nesta sexta-feira, 17/05, o Baía Viva vai entrar com uma representação junto ao Ministério Público Federal e do Ministério Público, apurar as responsabilidades legais, cíveis e criminais de autoridades dos órgãos estaduais de meio ambiente (SEA, CECA e INEA), da direção da COMLURB e da concessionária privada Ciclus Ambiental do Brasil S/A (SERB – Saneamento e Energia Renovável do Brasil S/A).

Segundo os estudos do Baía Viva, o risco de contaminação do Aquífero Piranema e da bacia da baía de Sepetiba se dá por conta de um volume de 2 milhões de litros de chorume por dia produzidos pelo aterro sanitário de Seropédica (CTR Santa Rosa), que recebe 8 mil toneladas de lixo diariamente da cidade do Rio de Janeiro.

Uma recente auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) deu prazo de 15 dias para a Prefeitura do Rio apresentar um plano de ação que resolva o problema, uma vez que caso seja suspenso o tratamento, conforme afirma a concessionária, cerca de 2 milhões de litros de chorume que podem ser despejados no solo, atingindo lençóis de água subterrânea, o Aquífero Piranema.

O relatório do TCM constatou que o volume de chorume gerado está 48,6% acima da capacidade de tratamento previsto para a Estação de Tratamento de Chorume (ETC) na licença de operação concedida pelo INEA (Instituto Estadual do Ambiente). Segundo a concessionária, a unidade vem tratando um volume menor do que o previsto no contrato com a COMLURB, e estaria enviando parte do chorume produzido no aterro sanitário para tratamento externo, em um volume de 24 carretas cheias de resíduo por dia.

Já a Baía de Guanabara, também de acordo com o Movimento Baía Viva, recebe 1 bilhão de litros de chorume sem tratamento por ano. Atualmente, estima-se que estejam estocados 500 milhões de litros de chorume em tanques de acumulação que a cada chuva transbordam para a Baía.

O Baía Viva também propõe uma auditoria financeira independente para apurar indícios de fraude no estudo de viabilidade econômica do contrato firmado, em 2003, entre a Comlurb e empresa Ciclus S/A para operação do aterro de Seropédica, que teria omitido custos do obrigatório tratamento de chorume e do futuro descomissionamento do aterro sanitário.

No final do ano passado foi aprovado o relatório final da CPI dos Lixões na ALERJ. Entre as denúncias da Comissão – que passou anos promovendo seções ordinárias e visitas técnicas – estava o combate à cartelização e monopólio de empresas no tratamento do lixo no Rio de Janeiro. Calcula-se que 76% dos aterros sanitários do Rio estejam sob o domínio do mesmo grupo de empresas.