Polônia endurece combate à máfia do lixo

Professor Resíduo
08:30:AM - 26/Jul/2019
Polônia endurece combate à máfia do lixo
https://www.dw.com

26/07/2019| 08h30

Depois que a China proibiu importação de lixo plástico, país europeu passou a ser inundado por resíduos importados ilegalmente, provenientes em grande parte do Reino Unido.

Enquanto a Polônia se tornou um lixão de resíduos plásticos do Reino Unido, e uma espécie de máfia do lixo cresceu para administrar sua incineração ilegal.

O vice-ministro do Meio Ambiente da Polônia prometeu recentemente que o governo vai combater duramente a incineração ilegal de lixo plástico importado.

Segundo o vice-ministro, as dez usinas de energia polonesas que usam lixo como combustíveis têm capacidade para dar fim aos resíduos domésticos e importações da República Tcheca, Itália e Reino Unido, mas há pouca regulação setorial sobre qualidade de resíduos, e a incineração ilegal é generalizada.

A Comissão Europeia afirmou em 2018 que a elaboração de tal regulação é de responsabilidade dos Estados membros. Como parte do Pacote sobre Economia Circular da União Europeia (UE), adotado no mesmo ano, a responsabilidade dos fabricantes por seus artigos será ampliada, o que significa que as empresas terão que gerenciar melhor seus produtos e embalagens depois do seu uso pelos consumidores.

Mas o problema persiste. O relativo atraso autorregulatório da Polônia foi destacado claramente em maio de 2018, quando mais de 60 incêndios começaram em aterros em todo o país. O maior durou dois dias e cobriu com fumaça a cidade de Zgierz, na região central da Polônia, onde foram encontrados fragmentos de resíduos queimados, provenientes do Reino Unido.

Em janeiro de 2018, a China introduziu uma proibição de importação de 24 tipos de resíduos sólidos e, como resultado, outros países passaram a ser alvo de remessas de lixo ilegal. Malásia, Vietnã, Tailândia, Indonésia, Taiwan, Coreia do Sul, Turquia, Índia e Polônia sofreram as consequências.

O Greenpeace acusou os países ocidentais de explorarem nações mais pobres com estruturas regulatórias inadequadas. As empresas ocidentais estão preparadas para pagar a eliminação do lixo e as firmas dos países mais desfavorecidos acabam aceitando os contratos. Esse lixo é, no entanto, muitas vezes etiquetado incorretamente.

Os exportadores do Reino Unido, entre outros, ganham dinheiro ao cobrar dos varejistas e fabricantes uma taxa flutuante de tonelagem para os Títulos de Recuperação de Resíduos de Embalagem (PERNs), que podem mostrar ao governo para provar que estão contribuindo para a reciclagem. Mas apenas 9% do plástico do mundo acaba de fato sendo reciclado, informou a National Geographic em 2017.

"Isso faz com que o Primeiro Mundo se sinta bem ao ver seus resíduos sendo supostamente reciclados, mas na realidade eles acabam em países que não conseguem lidar com os rejeitos", disse um ativista da Aliança Global para Alternativas à Incineração.

Durante anos, a China foi o maior depósito de lixo plástico, tendo recebido 600 mil toneladas desses resíduos importados por mês, no período de pico em 2016. O Reino Unido envia anualmente para a Polônia 12 mil toneladas de plástico reciclável. Desde 2002, a quantidade de lixo do Reino Unido enviados para países como China, Turquia, Malásia e Polônia aumentou seis vezes.

Depois que a China interrompeu a importação em 2018, a Polônia logo se tornou o sexto maior receptor de lixo britânico no mundo e o segundo maior dentro da UE, depois dos Países Baixos.

Em 2018, a Comissão Europeia disse que a Polônia era um dos 14 países da UE que corriam o risco de não cumprir a meta de reciclagem de 50%, que o bloco estabeleceu para 2020. Segundo o serviço de estatísticas da UE (Eurostat), a Polônia reciclou 33,8% de seu lixo urbano em 2017, em comparação com a média de 46,4% em todo o bloco.