Blumenau vai usar lixo para gerar energia elétrica

Professor Resíduo
11:00:AM - 05/Aug/2019
Blumenau vai usar lixo para gerar energia elétrica
(Foto: Nathan Neummann)

Atualmente, lixo de Blumenau é despejado em aterro sanitário que funciona em Brusque

05/08/2019| 11h00

A proposta é usar resíduos sólidos como fonte de energia ou combustível

O pacote de concessões anunciado pela prefeitura na semana passada tem um projeto que pode alterar de forma considerável a atividade econômica e ambiental em Blumenau.

A proposta de utilizar resíduos sólidos para gerar energia elétrica ou combustível derivado de resíduos no município teve consultas de cerca de 50 empresas, entre brasileiras e internacionais. O potencial estimado é atrair R$ 150 milhões de investimentos privados e corte de custos para a administração municipal.

O gerente de tecnologia da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGás) explica que qualquer material orgânico isolado de oxigênio e decomposto por bactérias produz biogás, energia que pode ser utilizada como combustível em geradores. “Os aterros sanitários geram biogás, pois esse processo ocorre naturalmente. Porém, na maioria das vezes essa energia do biogás não é aproveitada, com os materiais apenas sendo queimados para evitar a liberação de gases tóxicos na atmosfera.”

A maior dificuldade para começar a produzir energia elétrica com resíduos sólidos é o custo dos equipamentos e as adequações nos aterros sanitários. O gerente de tecnologia afirma que é necessário instalar tubos verticais para coletar o biogás e criar um sistema de purificação primária para remover compostos como silício e enxofre, além de reduzir a concentração de água.

O material é levado para o gerador de energia da usina, onde estão os maiores equipamentos da construção. Machado destaca que o processo tem um sistema de combustão semelhante a um motor de carro, com a diferença de ter um alternador com dínamo na ponta para produzir a energia e ligação com a rede elétrica.

O país é carente de energia elétrica e deve haver crescimento de demanda nos próximos anos, então nada mais animador do que poder tirar energia do próprio lixo. É algo que a princípio não teria uso nenhum, mas que pode criar uma grande oportunidade para o meio ambiente e a matriz energética.

As possibilidades de transformar resíduos sólidos em energia ainda estão sendo avaliadas pela prefeitura de Blumenau. Uma das outras opções é gerar combustível derivado de resíduos a partir do lixo do município. Neste caso, uma das aplicações é utilizar a energia em fornos, caldeiras e usinas de atividades como a produção de cimento.

Outra alternativa disponível no mercado é produzir biometano, algo que exige o aumento do nível de purificação da matéria orgânica para que possa adquirir as mesmas características do gás natural. Essa energia pode que ser distribuída por tubulação subterrânea, como já é feito pela SCGás, para atender indústrias, residências, comércios e veículos.

Essa escolha será feita após um estudo para entender qual é o melhor modelo a ser aplicado. A administração municipal planeja contratar uma consultoria especializada em engenharia e energia para emitir relatórios técnicos e auxiliar no processo de decisão da tecnologia que deve ser utilizada no projeto.

O município também considera a possibilidade de abrir um procedimento de manifestação de interesse do projeto para receber as propostas de empresas com as tecnologias que estão disponíveis no mercado. Desta forma, a prefeitura pode avaliar os modelos que a iniciativa privada está disposta a investir em Blumenau.

O secretário municipal de Turismo, um dos responsáveis pela elaboração do pacote de concessões, diz que a prefeitura quer utilizar o aterro sanitário próximo ao trevo da Parada 1, no bairro Salto do Norte, para instalar a usina. O local foi desativado após recomendação do Ministério Público em 2004 por ter excedido a capacidade, sendo utilizado apenas como ponto de parada dos resíduos que serão despejados no aterro sanitário para onde o lixo é levado, em Brusque.

O secretário municipal conta que a prefeitura abriu várias frentes de trabalho para acelerar o processo e definir o modelo ideal para Blumenau, antecipando a possibilidade de gerar mais receitas e diminuir as despesas do governo. O secretário estima que o município tenha potencial de gerar sete megawatts por mês de energia utilizando os resíduos sólidos. Energia capaz de alimentar 6 mil unidades consumidoras, equivalente ao bairro Escola Agrícola, de acordo com a Celesc.

A estimativa da prefeitura é que o projeto tem potencial para movimentar R$ 150 milhões em Blumenau, sem que seja necessário utilizar dinheiro do poder público. O cálculo leva em conta a instalação da usina, que exige investimento de aproximadamente R$ 90 milhões, e o repasse de parte da receita do lucro bruto da concessionária.

O corte de custos, estimado pela prefeitura em 20% a 22%, também está incluído na conta. O planejamento prevê economia na destinação dos resíduos, que deixariam de ser levados para Brusque, e na redução de custeio da energia elétrica dos prédios públicos — que podem passar a ser atendidos com a energia gerada pelo projeto.
Há cinco anos, Itajaí inaugurou uma usina de médio porte no aterro sanitário da Canhanduba para gerar energia elétrica a partir de resíduos sólidos. O local transformava todos os dias cerca de 300 toneladas de lixo recebido de Itajaí e Balneário Camboriú em um megawatt para abastecer a rede elétrica instalada no município.

Entretanto, a usina está com as atividades paralisadas no momento. Conforme o presidente da Itajaí Biogás, responsável pela operação do projeto, o gerador teve problemas técnicos e a empresa está investindo em um novo equipamento para retomar a produção de energia. Nesse período, o empreendimento também teve mudanças societárias para ampliar o serviço.

A previsão é que o serviço seja retomado no início de 2020 com a ampliação da capacidade da usina para 2,3 megawatts. Enquanto isso, a empresa está apenas queimando o biogás para não criar riscos ao meio ambiente e aos funcionários que trabalham no aterro.