ABRELPE mostra que a geração de lixo aumentou quase 28%. Sete milhões de toneladas estão sem coleta

Professor Resíduo
11:00:AM - 06/Aug/2019
ABRELPE mostra que a geração de lixo aumentou quase 28%. Sete milhões de toneladas estão sem coleta
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06/08/2019| 11h00

Percentual de reciclagem saltou de 2% para 3% na média nacional e os lixões ainda estão presentes em todas as regiões do país

Vigente desde 2 de agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) completa nove anos sem ter trazido grandes avanços para o país.

Desde então, a produção de lixo passou de 61,9 milhões de ton/ano para 78,4 milhões de ton/ano, um aumento de 28%.

A cobertura de coleta dos resíduos gerados se manteve estagnada na casa dos 90%, e cerca de 7 milhões de ton/ano continuam fora do sistema de coleta regular e acabam abandonadas nos meio ambiente.

Do volume coletado (pouco mais de 71 milhões de toneladas/ano), cerca de 60% dos resíduos gerados nas residências (secos e úmidos) seguem misturados e são dispostos em aterros sanitários, que desde 2014 só deveriam receber rejeitos, aquele resíduo sem nenhum potencial de aproveitamento.

O panorama é ainda pior, já que mais de 36 milhões de ton/ano de lixo seguem diretamente para aterros controlados ou lixões, unidades inadequadas que poluem o meio ambiente e impactam diretamente na saúde da população.

“Foram quase 20 anos de discussão no Congresso Nacional para conseguir aprovar a PNRS, que há nove anos segue sem conseguir viabilizar os avanços planejados. É como se ela não existisse, já que ninguém parece querer assumir sua real responsabilidade no assunto, isso inclui cidadãos, gestores públicos e empresas que estão obrigadas a fazer logística reversa”, observa o diretor presidente da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

As iniciativas de coleta seletiva ainda são bastante incipientes, e a falta de separação dos resíduos reflete na sobrecarga do sistema de destinação final e na extração de recursos naturais, muitos já próximos do esgotamento.

A consequência disso são os índices de reciclagem que se mostram estagnados nesses nove anos da Lei Federal, saltando de 2% para 3%, na média nacional.

“Se todo o volume de materiais desperdiçados tivesse uma gestão adequada, com prioridade para o reaproveitamento e reciclagem dos materiais descartados como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os recursos naturais da Terra teriam tempo de vida útil maior, contribuindo para o não esgotamento dos ecossistemas, que hoje são consumidos à exaustão e de maneira muito acelerada”, avalia o diretor presidente da ABRELPE.