Lixo do Rio ganha aliados contra o problema do lixo

Professor Resíduo
08:30:AM - 09/Sep/2019
Lixo do Rio ganha aliados contra o problema do lixo
Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo

A Comlurb coleta 1.700 toneladas de material reciclável no Rio por mês

09/09/2019| 08h30

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)  completou nove anos em agosto passado. Mas é uma data que ainda não tem motivos para comemoração. Desde então, a produção de lixo no país aumentou 28% — o que representa 78,4 milhões de toneladas por ano. No estado do Rio, a produção é de 21.708 toneladas por dia, e o percentual de reciclagem na capital está em apenas 2,72%, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Apesar do panorama desfavorável, algumas iniciativas estão sendo criadas para dar destinação correta ao lixo produzido na cidade, estimulando a consciência ambiental nos cidadãos. Nascido há três meses, o Recicla Orla está expandindo do Leblon para Ipanema seus pontos de entrega voluntária nos quiosques. Agora são seis locais de coleta, com previsão de chegar a toda a orla carioca. A parceria da concessionária Orla Rio com a startup de sustentabilidade Polen já arrecadou, nesse período, mais de 70 toneladas de material a ser reciclados.

Moradores do Leblon são colaboradores do Recicla Orla. No entanto esbarravam na dificuldade de encontrar lugares específicos para entregar os resíduos.

Outra novidade na região é o Espaço Convivência Sustentável (ECoS), na Lagoa, inaugurado pela Secretaria de estado do Ambiente e Sustentabilidade e pelo Instituto Estadual de Ambiente (Inea). O local visa a conscientizar e mobilizar a sociedade sobre o desenvolvimento sustentável por meio de palestras e oficinas, além de ter uma ação de recolhimento de lixo para reciclagem. Lá é possível ainda obter informações sobre o descarte correto.

Desde 2016 a Marina da Glória voltou a receber tartarugas e peixes, visitantes ilustres e que estavam sumidos há mais de 20 anos, afastados pela poluição das águas. Esse retorno foi resultado de vários projetos ambientais realizados no local e que não podem parar. Para se ter uma ideia, diariamente, são retirados sete sacos de 200 litros de lixo do mar na área da Marina.

O material reciclável tem dezenas de destinos, inclusive financeiro. Pode, por exemplo, virar desconto na conta de luz. Por meio do projeto Light Recicla, o consumidor só precisa comparecer até um dos ecopontos na cidade e se cadastrar. Na Zona Sul, há endereços em Botafogo, Leme, Copacabana, Humaitá, Leblon e Vidigal. Após o cadastro, ele receberá um cartão e passará a entregar o material reciclável (plástico, metal, vidro, papel e óleo vegetal usado) em troca de bônus. Cada item tem um preço por peso que gera o crédito na conta de energia escolhida.

Os recicláveis também podem ser revertidos numa boa ação ao próximo. Como o projeto Rodando com Tampinhas. Recolhidas são vendidas para empresas de reciclagem através do Instituto Soul Ambiental. Todo o dinheiro arrecadado é revertido para a compra de cadeiras de rodas aos pacientes da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação do Rio de Janeiro (ABBR). Com mais de 13 toneladas de tampinhas arrecadadas, 86 cadeiras de rodas foram doadas até agora.

Segundo o presidente da Comlurb a Zona Sul é a região que mais faz a separação do lixo dentro de casa.

O gerente de coleta seletiva da Comlurb revela que 1.700 toneladas de lixo reciclável são recolhidas por mês na cidade e levadas para cooperativas de catadores, que fazem a separação do material. Ele diz que a população tem papel fundamental nesse processo.