Menos de 7% do lixo produzido em Joinville é reciclado

Professor Resíduo
08:30:AM - 12/Sep/2019
Menos de 7% do lixo produzido em Joinville é reciclado
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12/09/2019| 08h30

Apenas 6,6% do lixo produzido em Joinville/SC é reciclado atualmente. Das 11.261 toneladas mensais de resíduos recolhidos pela Ambiental – empresa que opera o serviço de coleta de lixo na cidade –, apenas 779 toneladas são qualificadas para reutilização. E uma das principais dificuldades de ampliar a coleta seletiva são as atividades clandestinas, que acabam ocultando até mesmo o número real do lixo que é produzido.

De acordo com o gerente Regional da Ambiental, os números de recolhimento de materiais recicláveis vêm caindo mensalmente por interferência direta das coletas não oficiais, e garante que a geração de lixo e triagem residencial desses resíduos são bem maiores, mas acabam não chegando ao destino final, que são as cooperativas de reciclagem.

Pelo menos 35% de todo o resíduo produzido em qualquer residência poderia ser reciclado, segundo Ávila. Por isso, o potencial de aumento da coleta seletiva em Joinville é grande.

O gerente diz que o maior problema não está nem na coleta clandestina em si, mas na destinação final que é dada aos rejeitos que não são aproveitados por não possuírem valor comercial e que, muitas vezes, acabam sendo jogando em terrenos baldios e rios da região.

O profissional lembra que a população pode ajudar a alcançar um número maior de reciclagem. Basta fazer a triagem correta do lixo, lavando os resíduos que possam conter nas garrafas PET, por exemplo, para não contaminar outros reciclados, e observar corretamente os horários da coleta oficial.

A empresa Ambiental é a responsável por fazer a coleta dos resíduos que são separados pelas pessoas. Ela tem um cronograma de dias e horários para passar nas ruas da cidade com os caminhões. Esses veículos recolhem todo o material e levam para seis cooperativas de recicladores que são cadastradas na prefeitura e hoje atuam em Joinville.

As cooperativas têm espaços onde recebem os resíduos fazem a separação de todo o material e depois compactam para fazer a reciclagem. Ao final desse processo, o material é vendido pelas cooperativas para empresas interessadas.

O lucro dessas vendas é usado para manter o negócio das cooperativas, como o pagamento de aluguel do galpão – no caso daquelas que não têm um espaço próprio. O valor que sobra é dividido entre todos os cooperados. É dessa forma que muitas famílias conseguem uma renda mensal na cidade.

A queda na coleta de resíduos recicláveis em Joinville impacta diretamente as famílias que têm essa atividade como principal fonte de renda.

Segundo o coordenador da cooperativa Recicla, os melhores meses de rendimento das famílias são na temporada de verão. Em Joinville, segundo ele, há seis galpões de reciclagem regulamentados pelo município. Na opinião dele, a reciclagem clandestina acaba afetando muito o faturamento das famílias que vivem disso.

Para ajudar na conscientização da população, o Recicla firmou uma parceria com o Centro de Referência da Assistência Social (Cras) do bairro Paranaguamirim. Para lá serão levados tambores de lixo para recolhimento de materiais eletrônicos e outros tipos de resíduos das escolas do bairro.

Um Projeto de Lei que visa coibir a ação clandestina na coleta seletiva de Joinville foi encaminhado para a Câmara de Vereadores no início deste ano. Para regulamentar esse trabalho, segundo a gerente de limpeza urbana do município, demandaria treinamento dos profissionais e equipamentos, pois trata-se de um serviço que possui certos riscos para a saúde.

Com a regulamentação da lei, os locais em que as coletas clandestinas ocorrem seriam fiscalizados. A coibição desse ato também funcionaria por meio de denúncia dos moradores. Outra estratégia utilizada pelo município é a educação ambiental.