Produção de lixo no Brasil é alarmante

Professor Resíduo
01:00:PM - 12/Nov/2019
Produção de lixo no Brasil é alarmante
Crédito: Divulgação

12/11/2019| 13h00

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2018/2019, lançado na última sexta-feira, pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a produção de lixo no Brasil tem avançado em ritmo mais rápido do que a infraestrutura para lidar de maneira adequada com esse resíduo.

Em 2018, o Brasil produziu, em média, 79 milhões de toneladas de lixo, uma variação de pouco menos de 1% em relação ao ano anterior. Comparado com países da América Latina, é o campeão de geração de lixo. E, conforme estimativas do relatório, a tendência de crescimento na produção de resíduos deve ser mantida nos próximos anos - o País alcançará uma geração anual de 100 milhões de toneladas por volta de 2030.
O diretor presidente da Abrelpe diz que o tipo de material consumido atualmente, que é mais descartável, é o grande responsável por esse avanço da produção de lixo.

De todo o resíduo produzido em 2018, 72,7 milhões de toneladas foram coletadas, uma alta de 1,66% em comparação com 2017, mas 6 3 milhões de toneladas de resíduos nem sequer foram recolhidas junto aos locais de geração. Mesmo com uma melhora na cobertura da coleta, ainda há um contingente considerável de pessoas que não são alcançadas por serviços de coleta: um em cada 12 brasileiros não tem coleta regular de lixo na porta de casa.

Mesmo passado nove anos da vigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que trazia como meta que até agosto de 2014 o País deveria estar livre dos lixões, o setor ainda apresenta alguns déficits, principalmente em relação à destinação final dos resíduos coletados, coleta seletiva e recuperação de materiais.

Dos resíduos coletados, 59,5% receberam uma destinação adequada em aterros sanitários, enquanto o restante (40,5%) foi despejado em locais inadequados por mais de 3 mil municípios, seguindo para lixões ou aterros controlados, que não contam com medidas necessárias para proteger a saúde das pessoas e os danos ao meio ambiente.

Considerando países com a mesma faixa de renda do brasileiro, o Brasil apresenta índices bastante inferiores, pois a média para destinação adequada nessa faixa de países é de 70%.

De acordo com o Panorama da Abrelpe, a coleta seletiva também está distante de ser universalizada no País. Apesar de quase três quartos dos municípios brasileiros terem algum tipo de coleta seletiva, ela não abrange todos os bairros e os índices de reciclagem são bastante incipientes e pouco evoluem.

Essa estagnação ou retrocesso de alguns índices é potencializada pela falta de recursos destinados para custeio dos serviços de limpeza urbana. Em 2018, os recursos registraram queda de 1,28% de investimentos, além da perda de quase 5 mil postos de trabalho direto/formal. Para a execução de todos os serviços de limpeza urbana foram aplicados pelos municípios apenas R$ 10,15 por habitante por mês, em média.

Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não comentou sobre a produção de lixo no Brasil e a estagnação da infraestrutura para gestão adequada deste.