Em perigo, aterro de Santos pode ganhar usina de energia a partir do lixo

Professor Resíduo
10:00:AM - 21/Nov/2019
Em perigo, aterro de Santos pode ganhar usina de energia a partir do lixo
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21/11/2019| 10h00

Com sinais de saturação desde 2015, o Aterro Sanitário Sítio das Neves, na Área Continental de Santos, pode receber uma usina de geração de energia a partir do lixo para ampliar a sua vida útil.

A empresa responsável pelo espaço utilizado por seis das nove prefeituras da região, afirma aguardar o licenciamento ambiental para instalar uma Unidade de Recuperação Energética (URE) no local.

Ainda não há previsão de quando o projeto sairá do papel e nem quando a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) analisará o pedido. O plano é desenvolvido em paralelo ao pedido da empresa responsável pelo aterro para expansão do aterro.

Custos não foram revelados. Conforme o projeto, a unidade queimará resíduos (termovalorizar), transformando o calor desse processo em energia renovável.

O projeto prevê capacidade inicial para produzir 50 megawatt-hora (MW/H) de energia, suficiente para atender uma cidade de 250 mil habitantes.

O modelo regional é baseado na URE de Barueri, na Grande São Paulo, o primeiro desenvolvido no País, e que deve começar a operar no ano que vem. A planta com capacidade para 825 toneladas diárias de resíduos sólidos aguarda desde 2016 aval dos órgãos ambientais para começar a funcionar.

A tecnologia de usinas de recuperação de energia é alternativa para minimizar o problema mundial do lixo, por reduzir o volume de resíduos. Contudo enfrenta resistências de ecologistas e especialistas em meio ambiente.

A Cetesb analisa pedido para a ampliação do único aterro sanitário privado da região. O novo espaço, pleiteado há quase três anos, possibilitará o recebimento de até 2,5 mil toneladas por dia de resíduos, avalia o órgão ligado à Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente.

A quantidade a ser suportada com a ampliação é superior à média de 2 mil toneladas de resíduos sólidos, produzidos por seis das nove cidades da região. De acordo com o projeto, a área de 40 mil metros quadrados fica entre duas células já existentes do aterro.

A nova ala será capaz de receber resíduos sólidos da Baixada Santista por mais sete anos. O recálculo da célula a cada semestre para verificar a prorrogação da vida útil, porque os rejeitos se assentam naturalmente e há a decomposição desse material. A Cetesb fala em 36 meses de ampliação do espaço.

Um dos mais elevados custos fixos das administrações municipais passa a estar na mira do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). O órgão lança, em 28 de novembro, uma plataforma virtual para apresentar a situação do tratamento nos 644 municípios do Estado.

Além da prestação das contas públicas, o serviço concentrará dados sobre o estágio de implementação do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos nas cidades paulistas.

Segundo o presidente do TCE-SP, a iniciativa é fruto de uma preocupação constante do órgão. Ele explica que o Mapa dos Resíduos Sólidos abordará pontos como o cumprimento da legislação, existência de locais apropriados e infraestrutura para armazenagem dos resíduos, triagem, descarte e seletividade de materiais, bem como a adoção de políticas públicas para Educação Ambiental.